Category Archives: Digital

Espectáculo eleitoral

Uma perspectiva desafiadora sobre as eleições presidenciais norte-americanas, via Kansas University: Those Groovy Politicians.


3’02”

O impresso é para explicar, o online para revelar

De volta a Portugal, e com o estágio já para trás, dou de caras com este texto no Editors Weblog que cita um editor da revista Times, Richard (Spengler) Stengel, que afirma: “Online is for the what and print is for the why” (negritos e sublinhados meus). Mas há jornais que ainda não perceberam que as breaking news já não são para o papel e que, pior ainda, fazem do site um repositório do que sai em papel.

PS: algo de errado se passa com o feed deste blogue há pelo menos uma semana. Tenho as minhas suspeitas sobre a razão, mas ainda não foi possível resolver da forma que pretendo. Até lá, seguimos sem feed. 

Adeus à Polaroid

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Um blogue português sobre infografias

Tenho referido aqui o escasso aproveitamento que a imprensa portuguesa online faz do multimédia e do interactivo, designadamente a falta de uma aposta consistente nas infografias. Por isso mesmo tenho de destacar o blogue Infografando, cuja existência só ontem descobri. É um blogue convidado do PÚBLICO mantido por Mário Cameira, infográfico desse mesmo jornal, de resto um dos poucos em Portugal (se não mesmo o único) a apostar periodicamente nesta área. Leia-se o que diz o autor no post Razões para uma infografia online:

Porquê uma infografia? Uma infografia é uma notícia visual. Há muitos assuntos que são muitíssimo mais fáceis de explicar de forma visual do que apenas em texto. […]
Uma infografia multimédia será SEMPRE mais vista por mais gente do que o mesmo assunto em papel, qualquer que seja a publicação e a tiragem. Não morre no dia após a sua publicação.
Uma infografia multimédia é uma notícia que tem uma rentabilidade muitíssimo mais elevada que a grande maioria das notícias escritas.

Infografando é ponto de passagem obrigatório.

Três canais de vídeo acompanham eleições espanholas na Internet

A política espanhola segue o exemplo da americana e lança-se em força na cobertura da próxima campanha eleitoral no YouTube e sites afins. A RTVE, empresa responsável pela rádio e televisão pública espanhola, aliou-se ao popular site de partilha de vídeos e em conjunto criaram um canal dedicado às eleições legislativas espanholas, marcadas para 9 de Março de 2008. O canal reserva um espaço para cada uma das forças partidárias concorrentes e lança o desafio aos eleitores para que interpelem por vídeo os candidatos e coloquem as suas perguntas através do YouTube. A RTVE afirma que depois fará uma selecção e que colocará as questões escolhidas aos candidatos que passarem pela sua emissão. 

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Uma responsável da RTVE explica desta forma a vantagem desta deslocação para a Internet:

Ao permitir que os cidadãos formulem perguntas aos candidatos, o centro da atenção nestas eleições residirá nas questões que mais interessam aos eleitores.

Em alternativa, os eleitores espanhóis contam ainda com um outro canal no YouTube dedicado ao mesmo assunto, este lançado pela estação privada de televisão Antena 3 (encarada como próxima do Partido Popular). Segundo foi anunciado hoje, funcionará mais ou menos nos mesmos moldes que o canal da televisão pública (criticada por ser controlada pelos socialistas no poder).

E fora da plataforma YouTube, foi aberto um canal de vídeos para acompanhar o sufrágio no site Tu.tv.

Media portugueses online: fossem 2.0 ou fosso 2.0?

O Paulo Querido lançou a discussão. Eu e outros atirámo-nos de cabeça. Para participar, aqui 

Venha daí esse provedor do cibernauta

Deve haver poucos portugueses com uma ligação à internet que se sintam totalmente satisfeitos com o serviço e o preço cobrado pelo respectivo Internet Service Provider (ISP) em Portugal. Há casos quase patológicos de insatisfação (qualquer cliente Netcabo, por exemplo, sabe do que estou a falar), mas as queixas não são um exclusivo nacional. Ao contrário do que muitos poderão pensar, a verdade é que “lá fora” é como “cá dentro”. Os espanhóis, por exemplo, sentem-se “chulados” pelos ISP e ainda há dias se queixaram publicamente das (más) condições de mercado no acesso à banda larga. Numa penada, nuestros hermanos – que são campeões mundiais nos downloads, segundo um estudo internacional realizado em 2007 – queixam-se de serem os europeus com a banda larga mais cara e mais lenta e, não admira pois, que exijam um novo modelo de regulação, que defenda os clientes e garanta preços justos para serviços de qualidade.

Problemas com os quais poderíamos nós muito bem, não fosse a sina portuguesa tão má quanto a dos vizinhos do lado, que dizem esperar dez minutos ao telefone, em média, para serem atendidos pelo apoio ao cliente dos ISP (dez? isso não é nada dirão uns tantos cibernautas portugueses). Infelizmente, até agora ainda não se encontrou um modelo de regulação eficaz para pôr termo aos desmandos dos prepotentes ISP, que não hesitam em prometer este mundo e o outro através da publicidade e, uma vez conquistado o cliente, largam este à mercê da triste realidade que é pontuada pela incompetência (quando não a má vontade). A Anacom nunca foi (e talvez nunca venha a ser) aquilo que muitos de nós gostaríamos e, concluindo, resta ao azarado cliente protestar aos ouvidos das inenarráveis linhas de apoio ao cliente (muitas delas fazendo-se pagar a peso de ouro em cada chamada recebida).

O que fazer para mudar este estado de coisas? A nível europeu, parece não haver grandes ideias. A Comissão Europeia pensa na criação do mercado único de conteúdos digitais – o que demonstra mais preocupação com as empresas de conteúdos e o copyright do que propriamente com um fair market de Internet. Fora isso, fala-se na criação de um provedor do cibernauta, uma figura já existente na Comunidade de Madrid, e que ontem foi proposta pelo Partido Socialista Espanhol, o PSOE, para toda a Espanha. É uma proposta simpática, avançada como proposta eleitoral num encontro que serviu também para os dirigentes do PSOE passarem a mão no pêlo dos jornalistas aqui do lado, numa altura em que o país está a dois meses de eleições legislativas. Fica por isso a dúvida se é uma ideia para levar a sério, ou se não passa de um sound byte eleitoralista do partido de Zapatero. Mas que já faz falta quem nos defenda da mala educación dos ISP, disso parece não haver dúvidas.

Outras histórias: 

Notícias publicadas ontem por mão própria nas secções de Tecnologia e de Cultura do ELPAÍS.com: originais do Goya, do Velázquez, ou do Cervantes estão desde ontem disponíveis gratuitamente em formato digital no site da nova Biblioteca Digital Hispánica – são mais de 10 mil documentos online, para consultar ou descarregar sem custos; e na Grécia foi descoberto um caderno de desenhos que se crê ter sido do pintor holandês Vincent Van Gogh.