Verbaliza a sua insatisfação/satisfação através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares? (III)

Disclaimer: Este post começa com um merecido elogio. Leiam-no primeiro, e façam o favor de voltar. Obrigado. 

Infelizmente, o Rui Passos Rocha (e todos aqueles que, com o seu silêncio, se tornam cúmplices) parece não conhecer a história do ComUM. Não conhece, nem estará interessado em conhecer. Aliás, parece é que tem algum problema com esse passado. Primeiro, é responsável pelo apagão sobre dois anos de trabalho do ComUM, que estavam alojados no antigo domínio .net, entretanto desactivado. Desconheço o paradeiro e o estado de conservação desses arquivos, que representam dois anos de trabalho (2005-2007) de colegas e ex-colegas dele. Não satisfeito com isso, o Rui embarcou ainda numa marcha revisionista. É o que faz neste e neste texto, onde distorce e conta a história, não como ela é, mas como lhe soa melhor, ou como gostaria que tivesse sido.

comum-1995-numero-0.jpg

Acima, vemos o número zero do jornal ComUM. Foi publicado pela primeira turma do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, que no ano seguinte forneceria os primeiros licenciados do curso. A edição tem data de Novembro de 1995, e assina como director o então aluno Luís Miguel Marçal, hoje jornalista da SIC. O Rui pode escrever que a revista COMUM nasceu em 1994 quantas vezes quiser. A verdade histórica, que me foi confirmada pelo próprio Luís Marçal, numa conversa recente em Vila Verde, Braga, não é a que o Rui conta. É aquela que a imagem acima comprova.

Algures entre 1994 e 1997, este jornal desapareceu. Não consegui apurar a data exacta, mas andando em pesquisa pela versão antiga do site do Departamento de Ciências da Comunicação da UM, encontrei um link para a revista comum. Eis a capa desse número:

capamaio.jpg

Tem data de Maio de 2001 e refere o ano quatro de publicação, ou seja, ter-se-á estreado em 1997. Note-se que a revista tem presença na net (mais uma vez ao contrário do que diz o Rui) e também tem um fórum (cujo endereço não publico, porque as páginas de destino estão abandonadas e cheias de spam). Desconheço quando deixou de ser publicada a revista, mas não será difícil chegar a essa informação. Certo é que em Novembro de 2005, o Hélder Beja e o Hugo Torres apresentaram-me o Comum online (com esta grafia e alojado num domínio .net). São pois os fundadores desse Comum, que em 2007 desapareceu às mãos da actual direcção.

Em Fevereiro de 2008, surge um novo ComUM em papel. Eis a primeira página da primeira edição:

 3.jpg

A equipa deste jornal é livre de assumir a parte do legado que mais lhe interessa ou convém. Mas era escusado deturpar a verdade dos factos. Como até agora ninguém se mostrou interessado em corrigi-lo, assumi eu a odiosa tarefa.

Fui director do Comum online (não este mas um que já não existe) entre 2005 e 2007. Depois do convite (que terá certamente surgido por causa da minha “experiência”), pensei: tenho duas opções – ou lhes ensino o (pouco) que sei (incluindo os defeitos que aprendi nas redacções) ou vou mais devagar e assim não me substituo aos professores. Decidi-me pela segunda opção, o que ainda hoje me parece acertado. Mas isso provocou algumas angústias, designadamente no seio dos membros da redacção que ansiavam “brilhar” (como eles próprios me disseram) e que, não o tendo conseguido noutros jornais da UM, acabaram por entrar no Comum.

Eu dissera-o no primeiro dia: o jornal seria aquilo que a redacção trouxesse (e não o que eu podia trazer). Parecia-me uma mensagem bastante clara, mas nem todos a quiseram perceber, pelo menos enquanto me mantive na direcção. Na prática, a coisa funcionava assim: era pedida a notícia do jogo de sexta à noite do Benfica, e com um bocado de sorte, o texto era remetido para publicação na segunda e publicado ainda essa semana, depois de corrigido. Eu não ralhava. Por essa razão fui acusado de não saber dirigir.

Em Setembro de 2007, com o fim do curso e o estágio à porta, abandonei o cargo, depois de passar boa parte das férias a preparar uma reformulação do jornal, incluindo a adopção da grafia original, ComUM. A ideia era mudar a plataforma (asp para php), passar o conteúdo para um CMS gratuito, o Joomla, mudar o template e as secções, e alinhar o noticiário segundo três critérios (proximidade, actualidade e multimedialidade). Tudo isto foi concretizado em poucos dias, já sem nenhuma intervenção minha, pela nova direcção liderada pelo Rui Rocha, um companheiro de curso e camarada de ofício que eu (e todos aqueles jovens que viviam na ânsia de “brilhar”) considerava o director que o ComUM precisava.

A 26 de Novembro de 2007, já em pleno estágio em Lisboa, deixei aqui um post, em que basicamente me queixava da falta de tempo (e de dinheiro). O Rui aproveitou esse post para me dispensar do jornal, por e-mail, argumentando que eu próprio estava a admitir que não tinha tempo para tudo, e lembrando-me que eu falhara duas ou três crónicas de opinião. Portanto, Rui, como lês este blogue, continua a ler porque esta entrada é (sobretudo) para ti.

Volvidos estes meses, constato que estava certo quando olhava para o Rui como um rapaz cheio de potencial. Mas é pena que reescreva a História em função do seu já licenciado umbigo, porque assim não dá garantias de credibilidade. E sem credibilidade, fica apenas o brilho. Bonito, mas efémero.

20 responses to “Verbaliza a sua insatisfação/satisfação através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares? (III)

  1. Caro Victor,

    é-me estranho o timing da publicação deste post. Vários dos aspectos a que se refere já vêm de alguns meses (editoriais do Rui Passos Rocha, o facto de o comumonline.net ter desaparecido), por essa razão dá para desconfiar o post assumidamente polémico. Honestamente, o meu primeiro pensamento foi este: “O que é que este gajo quer?”

    Logo no primeiro paragrafo lê-se:

    «Infelizmente, o Rui Passos Rocha (e todos aqueles que, com o seu silêncio, se tornam cúmplices) parece não conhecer a história do ComUM»

    De facto, a data que o Victor propõe poderá estar correcta. A interpretação que o Rui Passos Rocha fez do nascimento da revista COMUM poderá resultar do erro da data de criação do Grupo dos Alunos de Comunicação Social da Universidade do Minho.

    «Não conhece, nem estará interessado em conhecer».

    O Victor também não se disponibilizou em informar a história correcta, que pelos vistos até teve de a confirmar com Luís Marçal e procurar em sítios do curso antigos.

    «Aliás, parece é que tem algum problema com esse passado Primeiro, é responsável pelo apagão sobre dois anos de trabalho do ComUM, que estavam alojados no antigo domínio .net, entretanto desactivado. Desconheço o paradeiro e o estado de conservação desses arquivos, que representam dois anos de trabalho (2005-2007) de colegas e ex-colegas dele».

    O comumonline.net está inacessível. Há um custo para manter comumonline.net, não faço ideia quanto. Se o Victor estiver interessado em contribuir para manter o sítio online, comunique com o Gacsum, que apreciará de certeza o seu bom gesto. Quanto ao facto de ter algum problema com o passado, o Rui Passos Rocha escreveu em vários editoriais a história de que como surgiu o COMUM, depois o Comum online. Errada ou não, acho que problema em assumir o passado não há.

    «Não satisfeito com isso, o Rui embarcou ainda numa marcha revisionista. É o que faz neste e neste texto, onde distorce e conta a história, não como ela é, mas como lhe soa melhor, ou como gostaria que tivesse sido.»

    Como soa melhor, ou como gostaria que tivesse sido? Sinceramente, não percebo esta parte, se me explicasse melhor agradecia…

    «A equipa deste jornal é livre de assumir a parte do legado que mais lhe interessa ou convém. Mas era escusado deturpar a verdade dos factos. Como até agora ninguém se mostrou interessado em corrigi-lo, assumi eu a odiosa tarefa.»

    Victor, obrigado pela luz. Acho que sem a tua explicação, o ComUM ainda estaria na escuridão de que Rui Passos Rocha é culpado. Sinceramente, ainda não percebo aonde queres chegar, mas se pudesses explicar…

    «Fui director do Comum online (não este mas um que já não existe) entre 2005 e 2007. Depois do convite (que terá certamente surgido por causa da minha “experiência”), pensei: tenho duas opções – ou lhes ensino o (pouco) que sei (incluindo os defeitos que aprendi nas redacções) ou vou mais devagar e assim não me substituo aos professores. Decidi-me pela segunda opção, o que ainda hoje me parece acertado.»

    = ) o Victor entra como director do Comum online porque o convite terá certamente surgido com a experiência. Depois decide pela segunda opção: “vou mais devagar e assim não me substituo aos professores”. Ora bem, se o Victor entra porque mais experiente, é com o objectivo de dar alguma coisa aos menos experientes, certo? “Vou mais devagar e não me substituo aos professores”. O comum não pretendia ser uma ferramenta de jornalismo, além das aulas? Ninguém pediu para substituir os professores, porque as aulas chegavam. O aliciante do projecto estava no prático.

    «Mas isso provocou algumas angústias, designadamente no seio dos membros da redacção que ansiavam ”brilhar” (como eles próprios me disseram) e que, não o tendo conseguido noutros jornais da UM, acabaram por entrar no Comum.»

    Então, havia um grupo de redactores que com o anseio de “brilhar” saíram de outros jornais da UM para o Comum. Isto parece-me demasiado arrogante e estúpido da sua parte, Victor. Pouca conhecia o Comum, a não ser professores, redactores e poucos na AAUM.

    «Eu dissera-o no primeiro dia: o jornal seria aquilo que a redacção trouxesse (e não o que eu podia trazer). Parecia-me uma mensagem bastante clara, mas nem todos a quiseram perceber, pelo menos enquanto me mantive na direcção. Na prática, a coisa funcionava assim: era pedida a notícia do jogo de sexta à noite do Benfica, e com um bocado de sorte, o texto era remetido para publicação na segunda e publicado ainda essa semana, depois de corrigido.»

    Era com este esquema que os redactores entraram para o Comum para brilhar? Hummm, não me parece.

    «Em Setembro de 2007, com o fim do curso e o estágio à porta, abandonei o cargo, depois de passar boa parte das férias a preparar uma reformulação do jornal, incluindo a adopção da grafia original, ComUM. A ideia era mudar a plataforma (asp para php), passar o conteúdo para um CMS gratuito, o Joomla, mudar o template e as secções, e alinhar o noticiário segundo três critérios (proximidade, actualidade e multimedialidade). Tudo isto foi concretizado em poucos dias, já sem nenhuma intervenção minha, pela nova direcção liderada pelo Rui Rocha, um companheiro de curso e camarada de ofício que eu (e todos aqueles jovens que viviam na ânsia de “brilhar”) considerava o director que o ComUM precisava.»

    No comments.

    «Volvidos estes meses, constato que estava certo quando olhava para o Rui como um rapaz cheio de potencial. Mas é pena que reescreva a História em função do seu já licenciado umbigo, porque assim não dá garantias de credibilidade. E sem credibilidade, fica apenas o brilho. Bonito, mas efémero.»

    Victor, dor de cotovelo e inveja é uma coisa feia. Além do mais, vindo de quem já tem alguns anos de profissão. E se não dá garantias de credibilidade, não sei como foi capaz de levar para o Público a manchete da primeira edição. E, ao contrário de muitos dos órgãos de comunicação social nacional que souberam indicar sem qualquer problema o órgão que avançou com a notícia sobre o caso do blogger censurado, o Victor nem se importou de reconhecer o trabalho feito por estes alunos. É com muita pena que vejo o seu comentário.

  2. A inveja na sua idade fica muito mal.
    Juízo!

  3. Aprendam a ouvir os mais velhos, meus meninos.. não perdem nada com isso e ficam a ganhar muito, ainda que sejam partes do bolo todo.

    quanto ao motivo da dispensa das colunas, também eu enquanto colunista da casa até então, com pouca regularidade é certo, recebi um email com um tom que considerei inapropriado e de pouca cortesia do sr. rui rocha. por manifesta falta de tempo, distância física e da realidade, e por notar interesse zero do projecto na continuidade da minha colaboração, optei por interromper a ligação.

    Continuação de bom trabalho com as edições impressas, sempre com a humildade possível e necessária!

  4. Carina (cuja idade desconheço), a inveja não é um defeito meu. A minha intolerância é contra os que proclamam com facilidade e ligeireza, sem tem o cuidado de se informarem primeiro antes de falarem. Antes de me sentar a escrever, tento primeiro saber do assunto sobre o qual vou escrever. Dá trabalho não é? Pois dá, mas é o mínimo- Quem não o faz, fala só porque gosta de se ouvir (ou ler).

    Aos anónimos: Se querem debater, dêem a cara. Não me escondo, nem quando me saio bem nem quando saio mal na fotografia. Assumo a responsabilidade. Há momentos em que custa, mas a isso se chama dignidade.

    E como esse anónimo (que comentou de dentro da UM) belisca a minha dignidade quando afirma que “o Victor nem se importou de reconhecer o trabalho feito por estes alunos”, no caso do blogger que foi aconselhado pela UM a encerrar os blogues, abro uma excepção para responder a essa mentira de quem não dá a cara:

    Vá ler a notícia publicada no PÚBLICO no dia 27 de Fevereiro assinada por mim. Nessa peça (dou mais esta ajuda, um link para a notícia) são citadas declarações de um dos envolvidos, explicitando-se que foram dadas ao ComUM, um jornal “que se publica dentro do campus”.

    Depois de eu próprio ter falado com o blogger, e sendo uma peça para um diário de carácter nacional, o que deveria ter dito mais? Que a notícia não é a pressão exercida sobre um docente blogger mas sim que o ComUM lançou uma versão em papel? Que é o jornal do Rui, do Romano, da Cláudia, do Helder, do Hugo e de todo aquele pessoal fixe do meu curso e que, by the way, está bem feito (o que, no fundo, não me admira)? E que o caso era conhecido há mais de um mês, na sequência deste comentário deixado em 28 de Janeiro no Mediascópio, mas que foi a malta do ComUM quem primeiro pôs o prof. e o director a falar em público sobre o assunto?

    Quanto ao resto, respondo-lhe quando der a cara, novamente com uma excepção: porquê agora este post?
    Ficaria satisfeito se lhe dissesse que não tive tempo nem cabeça antes? Ou se perguntasse se havia prazo para apresentação de reclamações, coisa de que não sabia? Quase arriscaria dizer que (com as devidas diferenças) o Sócrates terá perguntado o mesmo quando o PÚBLICO trouxe à baila a história das assinaturas de favor: porquê agora? Porque não?

  5. Desconhecia a discussão que aqui ia. E na qual, parece-me, já li o meu nome demasiadas vezes. Sem querer sequer entrar nesta troca de acusações, até porque desconheço muitos dos detalhes desta longa conversa, dou-me ao trabalho de dizer duas coisas:
    1- Dos alunos que comigo trabalharam na editoria de Sociedade nos primeiros tempos de ComUM online, nenhum deles buscava qualquer tipo de “brilho” que não fosse o de praticar a coisa jornalística. Muito menos eu, ou se assim fosse teria assumido a direcção da coisa, mesmo sabendo que não devia fazê-lo, como não fiz, por uma questão de timming.
    2- Revejo-me perfeitamente no ComUM que hoje existe enquanto projecto presente na Web. Por isso, não considero que tenha nascido outro ComUM com o comumonline.com. É apenas a natural evolução do que começámos a construir em 2005.

  6. O teu nome, demasiadas vezes, Hélder? Envolvi-te em mentiras? O projecto em que tu te revês (como eu e muitos outros) tem uma história. O que eu fiz foi trazer a história toda a público, já que ninguém se mostrou interessado.

  7. Não, Victor, não envolveste. E não vejo mal nenhum em teres trazido a história a público, pelo contrário.
    Bem sabes que discordámos algumas vezes, tal como discordamos agora na apreciação que fazemos dos objectivos das pessoas que connosco trabalharam no ComUM.
    Abraço.

  8. Aproveito a laracha do Victor:

    1. para concordar que apagar o período .net não é boa conduta e deveria ter sido pensada atempadamente (não era necessário manter o domínio antigo, apenas transladar os arquivos);

    1.1. para sugerir a criação de uma página de enquadramento sobre a história do ComUM, com todos os grafismos ainda disponíveis para consulta;

    2. para sublinhar a lógica do primeiro dia do .net, com a qual concordo integralmente: «o jornal seria aquilo que a redacção trouxesse (e não o que eu podia trazer)».

    Posto isto, penso que o tom ameaçador, pesado, aqui e ali, não é necessário. Sem isto não existiria aquilo e por aí adiante: passos em frente: o que pode significar escutar os passos atrás e por aí fora.

  9. Tom ameaçador, pesado, desnecessário. Sim, talvez tenhas razão. Aqui e ali uma boca provocatória a mais, também. É proporcional à mágoa que senti quando fui dispensado nas condições em que descrevi. É proporcional à irritação que sinto quando leio artigos sobre a história do ComUM, sabendo que os autores têm os meus contactos (mas que nunca usam para se informarem e, aparentemente, só para me dispensarem).

    A proposta do enquadramento histórico é simpática, mas nem é necessária. Desde que não falem de cor e se preocupem em encontrar uma solução para o arquivo. Talvez seja difícil de fazer. Sei perfeitamente que a manutenção do domínio .net custaria dinheiro, e por isso a solução que propões é aquela que também eu defendo. Aliás, disse-o à equipa, frisei isso, quando saí (se calhar, tarde).

  10. Caro Victor,

    Gostava de comentar a suposta “marcha revisionista” de que me acusas. Aproveito a oportunidade para agradecer com sinceridade as palavras elogiosas do post anterior. E para esclarecer que o anónimo que tomou a palavra no primeiro comentário não faz parte da direcção nem, segundo julgo saber, da redacção do ComUM.

    Começo pelo fim. No último comentário, disseste que o ComUM “tem uma história” e que queres “trazer a história toda a público”. O motivo é nobre, mas permito-me fazer um reparo: se é para contar a história, que se conte, então, a história verdadeira. Sou pouco dado a julgamentos na praça pública e não pretendo lavar a roupa suja num blogue. Mas há aqui inverdades que cumpre rectificar e insinuações graves que não posso deixar sem resposta.

    Acusas-me de não conhecer a história do ComUM. Dados os factos que apresentas, confesso que, de facto, aquilo que escrevi não corresponde à verdade. Mas convém esmiuçar o problema e tentar perceber as acusações de que sou alvo (entre as quais, a tentativa de branquear o passado da forma que mais me convém). Que perturbador passado será esse que a esta direcção tanto importa esconder? Confesso-me perplexo com a resposta. Acusas-me de ter trocado as datas de “nascimento” do ComUM. Ao que parece, não foi em 1994. Foi em 1995.

    Parece-me difícil encontrar erro (que, aliás, admito) mais inócuo do que esse. Tão inócuo que, em comentário ao Editorial citado, um colaborador do ComUM de então não fez, sequer, referência a essa incorrecção. De resto, não me parece, sequer, que a tua versão fosse tão óbvia quanto isso. Tiveste, até, de a confirmar com o Luís Marçal antes de escreveres este post. Agradeço o trabalho arqueológico, mas mantenho a minha ignorância em relação à razão pela qual teria, afinal, tanto interesse em ocultar do leitor um facto tão pouco incómodo.

    O resto do post deixa transparecer apenas um ressabiamento profundo com um passado (ou um presente) que não será do teu agrado. Não percebo a que propósito vêm as lembranças do teu passado como director ou a explicação das decisões tomadas na altura. Fico sem saber a razão de tão inusitado fio condutor. Escuso-me, ainda assim, a comentar mais algumas inverdades a este propósito vertidas. Não pretendo repristinar velhas polémicas.

    Há, contudo, duas imprecisões que, por serem particularmente lesivas, não posso deixar passar impunes. Primeiro, a queda do domínio .net do ComUM e a subsequente atribuição abusiva de responsabilidades à actual direcção, num registo que chega a alvitrar obscuros propósitos de silenciamento do passado do jornal.

    A este respeito, recapitule-se a história com os factos em ordem. Duas semanas depois de ter sido escolhido para director, o comumonline.net/ começou a dar problemas. Encontrar uma solução não foi possível e, entretanto, um colega com conhecimentos técnicos avisou-me que a mudança de template seria trabalhosa e completamente impossível de terminar a tempo do relançamento do jornal. A solução foi a compra de um novo domínio, o que possibilitaria a integração do ComUM-Joomla em tempo útil. Ainda assim, a data de lançamento foi alterada por duas vezes.

    Surgiu então a necessidade de passar os artigos em arquivo para a nova plataforma. Mas recebemos, por essa altura, uma notificação do anterior domínio, explicando que seria necessário renovar o pagamento no prazo de uma semana, caso contrário o site seria fechado. Com mais de 3.000 artigos para transportar manualmente (o Joomla não permite importação automática de asp para php), ficámos num beco sem saída. As restrições financeiras eliminaram aquela que seria a hipótese mais desejável: manter o site aberto, pagando os domínios .com e .net.

    Teria sido mais fácil “pensar atempadamente” no problema (como sugere o Hugo) caso não tivesse assumido a pasta a escassas duas semanas de o ComUM recomeçar a sua actividade. A nova direcção teve cerca de um mês para reunir a redacção, planificar o trabalho e fazer um site praticamente do zero (sim, do zero – mais uma vez, abdico de me alongar nos comentários). Não sobrou muito tempo para transportar manualmente os tais 3.000 artigos de um alojador para o outro. A situação teria sido seguramente diferente caso o teu abandono tivesse sido anunciado com mais do que 12 ou 13 dias de antecedência. Lamento, mas não faço milagres.

    Por fim, o teu suposto “despedimento”. É complicado vislumbrar aqui qualquer aproveitamento, pela minha parte, da situação frágil em que, pelo que dizes, te encontravas. De facto, partiu da actual direcção a iniciativa de te contactar para assinares uma coluna de opinião. O acordo não vinha com selo dourado e pedi-te o mesmo que pedi aos outros: que cumprissem; e, quando isso não fosse possível, que avisassem previamente.

    O resto conta-se rápido. Não escreveste a primeira crónica e não avisaste. Não escreveste a segunda e relembrei-te apenas que, quando não o pudesses fazer, devias avisar, ao que respondeste que enviarias uma crónica no dia seguinte. Mais uma vez, nada. À terceira vez consecutiva em que não cumpriste com o acordo (de novo sem aviso), decidimos, em grupo, que seria melhor dar o lugar a quem tivesse mais disponibilidade e/ou estivesse mais motivado. É no mínimo irónico que quem demonstrou tão pouco interesse com o ComUM durante cerca de dois meses venha agora falar, ainda por cima no tom em que o faz, da “grande mágoa” que sentiu quando foi dispensado.

    Esta resposta torna-se longa. Apenas mais duas notas, sem real importância. A primeira para o António Larguesa, que me acusa de falta de delicadeza. Recapitule-se, também aqui, a história. Depois de tomar posse, enviei um e-mail a perguntar-lhe se teria interesse em continuar como cronista, na condição de escrever de forma menos espaçada. Compreende-se a minha preocupação, porque o António Larguesa, em quase um ano de ComUM, não terá escrito mais do que um ou dois textos de opinião. Não tive, ao contrário do que afirma, “interesse zero” na sua continuação; mas, naturalmente, impus como condição uma participação mais activa no jornal. O António respondeu dizendo que o seu compromisso não era comigo mas com a anterior direcção. Dispenso-me de mais comentários.

    Por fim, apenas uma menção à altura em que este post foi publicado. Num momento de especial importância para a equipa e apenas duas semanas após ter sido lançada a versão impressa. Lamento a incoerência de quem rasga as vestes perante uma suposta mentira depois de ter convivido com a agoniante verdade durante quase seis meses (ao longo dos quais – suprema ironia – não faltou uma colaboração como cronista). Uma “odiosa tarefa”, de facto. E a desculpa da falta de tempo – e de “cabeça” – parece-me, também, bastante fraca. Em cerca de meio ano, não devem ter faltado oportunidades para o esclarecimento público.

    Esta polémica foi mais longe do que esperava. Não tinha de ser assim. Não tinha de ser na praça pública. Nem tinha de ser com insinuações soezes e infundadas. Lamento este desfecho mas não pretendo deixar o meu nome ser arrastado pela lama. Ponho, aqui, o ponto final numa questão que já devia ter encerrado há muito.

  11. Uma pequena achega: as crónicas em falta foram a segunda, a terceira e a quarta. A primeira foi entregue. O lapso foi meu.

  12. Rui, começando pelo menos importante: não te compete colocar pontos finais em questão nenhuma. Aqui discute-se , de forma desabrida, se for preciso. Aqui não se atira ninguém para a lama, nem lama sobre ninguém. Mas também não se aceita lixívia. E nesse particular, estou à vontade: estão aqui diferentes versões dos factos. Cada um julgue ou opine por si.

    Não havia odiosa tarefa. Havia ironia. Para contar a história do ComUM, não foi preciso fazer arqueologia. O número zero que publiquei acima foi mostrado à redacção do ComUM, no primeiro aniversário da versão fundada em 2005. Sempre esteve na minha mão. Obviamente, não podes ser acusado de falta de memória até porque não posso garantir que já estavas no jornal, mas o teu dever era informares-te antes de escrever. E nota, nem precisavas de falar comigo. Para chegar à data da revista (que eu não tenho), bastou saber que ela existiu e uma pesquisa no Google. Mas como disse, até fiz mais: aproveitando um encontro casual com o Luís Marçal, durante um serviço, e sabendo que ele foi director daquele ComUM, tentei confirmar mais coisas, como por exemplo, quantos números foram publicados. Infelizmente, nem ele sabia. Como o Gacsum não tem memória em arquivo, teria sido um bom ponto de partida para reconstituí-la.

    Quanto à forma como fui dispensado da mal cumprida missão de colunista. Não fico perplexo perante a tua/vossa louvável ambição e competência para levar(em) a sério um projecto de trabalho, mas perante situações como a que passei quando recebi um e-mail que usa como desculpa última um post do meu blogue para me dispensar do jornal. Se soubesse que havia outros a queixarem-se do tratamento que dispensas por mail, talvez eu não tivesse tido o desplante de achar que a coisa era pessoal, apenas contra mim, e que a tua vontade era dispensar-me da pior maneira. Mas graças a esta discussão, agora sei que foi narcisismo meu pensar assim, porque afinal não sou o único. Por isso te digo, quem recebe e-mails e escreve nos blogues são pessoas, iguais a ti, com temperamentos, com defeitos, qualidades e expectativas. És livre de as dispensar em nome do teu jornal, não em nome do jornal do curso.

    E se outro mérito não houvesse, este post serviu para que se guarde memória do que foi o Comum online anterior: 3000 artigos, escritos pelos alunos de Comunicação Social, em dois anos. Com todos os defeitos que lhe quiserem apontar, é trabalho, é história, ainda mais significativa porque é passado, passado superado, início de uma coisa melhor que veio colocar-se em seu lugar. O vosso desafio, a meu ver, é também esse – garantir que quem vem depois mantenha o projecto vivo e melhor. Vai ser mais difícil, porque o actual ComUM (nas duas versões) colocou bem alta a fasquia da qualidade. A não ser que quem vos suceder apague tudo o que existe.

    Dito isto, passo por cima dos “mimos” que me dispensas a título da minha suposta inveja, do ressabiamento, da infelicidade. Quem leu até aqui fica a saber que o meu confronto de opiniões com o Rui não começou agora, ao contrário do que ele manhosamente pretende fazer crer. Dá jeito ao argumento da inveja, mas é falso. Já trocámos muitos argumentos no passado, alguns se calhar de forma até mais acalorada do que agora. Não vivi em silêncio e sofrimento, nem deixei de dormir ou de ter cabeça. E escrevi agora como poderia ter escrito antes, ou depois. Não há prazo para a crítica, para a discussão. O tempo, Rui, é um contínuo. A vida impõe-nos um prazo para agir, mas as consequências surgem em qualquer altura. Todos acabamos por aprender essa lição.

  13. Releio e apetece-me acrescentar isto: obrigado Rui, pelos diversos esclarecimentos, nenhum dos quais desmente uma linha que seja do texto inicial. E o “inusitado fio” de pensamento que me orientou no post de aberturanão tem nada de estranho. Limitei-me a contar o que foi a minha experiência, lembrando as responsabilidades que cumpri (ou não).

  14. Meus caros!

    Permitam-me a intromissão. O/A/O ComUM, porque foi jornal, revista e, depois, jornal, têm, de facto, muitos anos. Acompanhei, praticamente, tudo. Aliás, tive o prazer de conhecer, e bem, o Luís Marçal, enquanto dinamizador do “ComUM”, senão no ano do primeiro número, pelo menos no seguinte.

    Percebo os desabafos do Víctor, como percebo as respostas do Rui. Não será natural a divergência de opiniões em relação a um projecto que ambos apadrinharam, de forma distinta, em diferentes (embora não distantes) tempos?

    A ti, Rui, logro que coninues a dirigir e a alimentar um projecto de anos, agora mais audaz. Parece-me eficaz a forma como o fazes. E parece-me sincera e abnegada a dedicação.

    Víctor! Permite-me que te elogie por todo o trabalho efectuado em prol do ComUM (certamente, nunca esquecido), acrescentando que possuo algum arquivo pessoal de idos jornais académicos (oh, pá! Há 13 anos aqui, tinha de ter guardado alguma coisa. Há alguns exemplares “ComUM” que posso emprestar para cópias). A acrescentar, ainda, os meus parabéns pelo esforço que fizeste, e assisti, embora de forma passiva, em relançares este projecto.

    É perceptível, pelos textos, a existência de algumas animosidades ou, in alter, alguns recalcamentos em relação a assuntos mal resolvidos anteriores.

    A bem da salutar continuidade do jornal que, penso, ser um desejo comum, permitam-me aspirar a que estes sejam resolvidos de forma rápida e salutar, preferencialmente de forma privada.

    O projecto é “ComUM” e vale o que vale porque ambos, como muitos outros, se bateram e batem por ele.

    Grande abraço

  15. Agradeço a nota “sem real importância” (que, com toda a certeza, não é aqui nem com o senhor Rui que a vou atingir).

    Para referir apenas que, até por estar na altura a trabalhar fora do país e fora da Universidade há uns meses largos, não fazia ideia que tinha havido mudanças na cúpula do Comum, daí ter estranhado o rude trato via-email de alguém que não conhecia e continuo sem conhecer.

    Mas, obviamente, nada que me tivesse perturbado o sono, a mim, que nunca fiz nada pela ou pelo Comum. Já quanto ao Victor as coisas parecem-me diferentes, mas não tenho dúvidas que ele também continua a dormir tranquilo.

    Um abraço e uma boa vida!

  16. Não sei se alguém vai ler isto, mas aqui vai.
    São 4 da manhã e estou com uma valente insónia. Tenho ainda o coração aos pulos depois de ter passado por momentos aflitivos e assustadores durante a festa do FC Porto. É incrível como, depois de somar mais um título, há adpetos que, em vez de festejar, preferem agredir e ameçar mesmo de morte um jornalista. A troco de nada. De apenas não gostar da nossa cara ou da casa em que trabalhamos. Enfim…

    Mas talvez por ter vivido essa situação tão limite, tão dramática, dei comigo à procura das origens e encontrei-vos. Só quero acrescentar duas ou três coisas à tal verdade histórica.

    O ComUM nasceu em Novembro de 1995 e teve 3 números em papel durante o ano lectivo 1995/1996. Eu fui o primeiro director, a directora-adjunta era a Fátima Marques Faria que hoje está na RTPN. Foi fruto do trabalho de 5 turmas do curso. Recordo que a licenciatura abriu em 1991. No departamento de Publicidade estava o Rui Artur Silva, que creio trabalhar agora numa agência em Lisboa. No de Relações Públicas, tínhamos a Silvana Ribeiro que hoje é professora no curso. Confesso que a memória já não me deixa chegar aos nomes dos vários editores.

    Deu-nos um gozo gigantesco fazer o ComUM. Foram noites e noites sem dormir, contas e mais contas à procura de dinheiro que precisávamos e não aparecia. Na véspera da data de lançamento, até uma disquete decidiu “morrer” com toda a edição já paginada e pronta para impressão.

    Mas, conseguimos. Sonhámos e alcançámos. Fomos os primeiros. Merecemos ser recordados, mais que não seja, por isso. Não façam como quem nos sucedeu e fez de conta que não existimos. Nem a nós, nem a ninguém. Portanto, deixem-se lá de guerras e prossigam com o bem ComUM. Vê-lo assim, vivo e escrito como nós o inventámos há quase 13 anos, deixa-me os olhos cheios de água. E não é de medo, como há algumas horas atrás. É de orgulho, muito orgulho.

    Luís Marçal

  17. Obrigado Luís, pelos esclarecimentos adicionais sobre o antigo ComUM. Quem um dia quiser fazer a história toda, terá aqui elementos importantes.

    Faço votos para que tenhas tido um sono descansado, depois desta mensagem. Bom trabalho, um abraço.

  18. Pedro Antunes Pereira

    Se precisarem para memória futura, tenho as edições em papel e em revista, bem como de uma revista surgida naquele período que o Victor diz ter perdido o rasto ao CoMUM. Chamava-se “Gata” e era feita por pessoas que saíram do CoMUM. Lembro-me de trabalhar com a Luísa Pinto, com a Alexandra, com as Raqueis, com o Abel Coentrão, com a Sílvia. Lembro-me de horas e horas a discutir com o Luís Marçal, os artigos a publicar. Lembro-me das reprimendas e das correcções aos textos. Lembro-me da expectativa das pessoas, extra Universidade, à espera de ver o que “eles trazem agora”. Tal como o Luís, eu também tenho orgulho de ter feito parte desses tempos. Sobretudo, porque não tínhamos qualquer tipo de presunção. Tínhamos apenas vontade de aprender, de querer saber mais, de discutir ideias, de cometer erros. Tínhamos vontade…

  19. Se eu não tivesse publicado fotografias de minha autoria nas primeiras edições DA REVISTA COMUM, poderia achar que o JORNAL COMUM de agora é pioneiro.
    Na verdade, e não me falhando a memória, as primeiras edições da revista tinham capa dura, eram agrafadas e papel couché no interior.
    Ali excreveram, por exemplo, a Inês Nadais (actualmente no Público) e a Ana Cristina Pereira (igualmente), para além de muita outra gente de anos mais avançados. Eu estaria no meu 1º ou 2º ano quando a aventura começou.

    Cumprimentos a todos,

    Dario Silva.

  20. Mando daqui um abraço ao Luís Marçal. Bons Tempos.

    Dario.

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