Verbaliza a sua insatisfação/satisfação através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares? (II)

cg05032008.jpgUma conversa que tive esta semana com o Samuel foi parar hoje a um post do Colina Sagrada, onde o Samuel resume (e bem) as nossas preocupações face à primeira página da edição desta semana do jornal O Comércio de Guimarães (excerto, aqui ao lado). Na edição posta à venda na última quarta-feira a manchete é “Comportamentos suicidas dispararam em Guimarães”. No antetítulo diz-se que o “director de Psiquiaria do hospital fala de pandemia social”. Se o Estado cobrasse imposto por alarmismo social aos jornais, esta primeira página seria o maior contribuinte.

O Comércio de Guimarães integra o maior grupo de comunicação social de Guimarães e um dos mais sólidos de toda a região. O grupo é responsável por aquele jornal, pelo Desportivo de Guimarães e pela emissora local Rádio Santiago. Tudo projectos que são líderes de audiências ou de vendas, nos seus respectivos segmentos de mercado. Tal peso confere-lhe estatuto, reconhecimento público, notoriedade social e responsabilidade.

Se há temas sensíveis para o jornalismo, o suicídio é um deles. É certo que há jornais que se pelam por uma boa história desse género, mas esses jornais são, sem sombra de dúvida, a minoria (onde se inclui o Comércio?). Diz a minha experiência que a norma perante histórias de suicídio é refrear os ânimos das redacções, por uma série de razões que ocupariam aqui muito espaço. Mas no caso, em concreto, o jornal não fala de um suicídio. Fala de uma “pandemia” de suicídios. Suicídio contagiante, que se transmite entre espécies diferentes, estão a ver?

Lê-se a notícia (versão online, mais curta) e o que se conclui? Esticaram (ou alguém esticou por eles) a realidade, misturaram uma série de incongruências e incompetências (muito bem apontadas no Colina Sagrada) e com isso esvaziaram a manchete, o título, a notícia. “Não deixes que a realidade te impeça uma boa história” é o lema dessa ganância informativa que, por vezes, leva o ofício do jornalismo longe demais (ou será que nem jornalismo chega a ser?).

Post scriptum: E na sequência desta não-notícia, o que fez o PCP? Levou o assunto à reunião de câmara (diz o Samuel que foi por excesso de marxismo; a mim, parece-me difícil acusarem com razão o PCP de Guimarães de ser, hoje em dia, marxista).

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