Um blogue português sobre infografias

Tenho referido aqui o escasso aproveitamento que a imprensa portuguesa online faz do multimédia e do interactivo, designadamente a falta de uma aposta consistente nas infografias. Por isso mesmo tenho de destacar o blogue Infografando, cuja existência só ontem descobri. É um blogue convidado do PÚBLICO mantido por Mário Cameira, infográfico desse mesmo jornal, de resto um dos poucos em Portugal (se não mesmo o único) a apostar periodicamente nesta área. Leia-se o que diz o autor no post Razões para uma infografia online:

Porquê uma infografia? Uma infografia é uma notícia visual. Há muitos assuntos que são muitíssimo mais fáceis de explicar de forma visual do que apenas em texto. […]
Uma infografia multimédia será SEMPRE mais vista por mais gente do que o mesmo assunto em papel, qualquer que seja a publicação e a tiragem. Não morre no dia após a sua publicação.
Uma infografia multimédia é uma notícia que tem uma rentabilidade muitíssimo mais elevada que a grande maioria das notícias escritas.

Infografando é ponto de passagem obrigatório.

7 responses to “Um blogue português sobre infografias

  1. Uma outra sugestão de leitura tb. portuguesa:

    http://bizviz.jorgecamoes.com/

  2. Caro Victor

    O “Público” pode ser dos poucos, mas não é certamente o único jornal nacional a apostar na infografia e tenho dúvidas que seja o melhor. Aqui fica uma opinião vista de fora:

    jpn.icicom.up.pt/2006/07/11/infografia_jornais_portugueses_tem_pouca_producao_propria.html – 21k

    Já agora, podes também dar uma vista de olhos nisto http://clix.semanal.expresso.pt/imagens/ed1824/fotos/pdfs/IPDF-e341.pdf

    e outra aqui

    http://64.233.183.104/search?q=cache:lhIiUCdr0JEJ:clix.semanal.expresso.pt/2caderno/economia/artigo.asp%3Fedition%3D1824%26articleid%3DES269328+%22Expresso%22,+%22newspaper+awards%22&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=2&gl=pt

    Um abraço

  3. Nelson (vou dispensar o “Caro”, porque entre nós esse tipo de deferências soa-me demasiado a falsete).

    Se leste bem a minha entrada, hás-de ter reparado que eu falo de infografia online. Conheço bem o trabalho do Alberto Cairo (o site dele ensina muita coisa), bem como as suas opiniões. Parece-me que nada do que ele diz nessa entrevista que linkaste contraria aquilo que afirmei acima e que reafirmo agora – os jornais portugueses apostam pouco na infografia multimédia.

    Os exemplos que dás relativos, ao EXPRESSO (que apesar de premiado, perdeu para o PÚBLICO o prémio mais apetecido em 2007 – não sou eu que o digo, basta consultares o site da SND-E) estão muito bem, mas…. são infografias em papel.

    Quanto ao online, o único jornal que ainda vai tendo alguma consistência na produção é o PÚBLICO, sem dúvida nenhuma. Mas volto a sublinhar: em Portugal, os jornais fazem muito pouco nesta área. Por que será?

  4. Victor

    Julgo que me conheces demasiado bem para saber que não havia qualquer “falsete” no meu “caro”.

    Faço um “mea culpa” por não ter percebido que te referias apenas à infografia “multimédia”. Existe, de facto, no “Expresso” um blogue com as infografias do jornal (http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?sid=ex.sections/24852), mas que de Multimédia nada tem. O “Expresso” fê-lo, por exemplo, aquando da aventura do Francisco Lobato na regata Transat 6.5, mas é justo reconhcer que essa é ainda uma lacuna da edição Multimédia do jornal.

    Em relação aos prémios da SND, e isto não é qualquer provocação, duas notas: os dois jornais mencionados são, a acreditar, nesta votação, os mais bem desenhados da Europa; o “Público” batendo o “Expresso” pelo prémio do melhor “design”, perde na reformulação gráfica. E, já agora, na questão da infografia, em papel, apesar de essa não estar aqui em debate.

    De qualquer forma, concordo contigo numa coisa: todos os jornais nacionais, incluindo o “Público” e o “Expresso”, estão ainda longe de uma aposta consistente na infografia “multimédia” e, já agora, nas outras vertentes Multimédia. A minha percepção é que, apesar dos discursos oficiais, existe ainda pouco investimento real – a nível de recursos – no Multimédia. Uma boa forma de perceber isso é ver que, tanto o “Público” como o “Expresso”, que tantos louvores recebem pelas suas edições impressas, não recebem depois qualquer distinção nas suas edições “online”.

    Um abraço sem falsete

  5. Meu caro😉

    Tens razão: conheço-te, não há falsete na deferência… releio o que escrevi e sem reservas admito que não quis dizer o que ali está escrito ou o que tu (e outros) poderão ler como implícito; mea culpa, a piada não funcionou, logo, desculpa.

    Na questão de fundo, uma correcção e uma observação. Os dois títulos portugueses que estamos a discutir não são os mais bem desenhados da Europa, apenas foram os finalistas portugueses. Aquela votação, feita por um júri que me parece qualificado, diz respeito apenas à península ibérica e avalia os candidatos de cada país em separado.

    Dito isto, ataquemos o problema. O Alberto Cairo, que tem currículo suficiente para dar e vender, defende uma opção que – para os cânones actuais – podemos considerar polémica. Diz tão somente isto: a infografia é um trabalho de jornalista. Não é arte, nem desenho, é jornalismo (visual). Podemos precisar de designers ou programadores, mas isto é trabalho de jornalista e ele garante que em três meses põe os seus estudantes de jornalismo a fazer infografias, multimédia e interactivas (dois conceitos diferentes, não esqueçamos).

    A ideia vigente na maioria das redacções portuguesas não será bem esta. Mas o problema começa antes, começa nas escolas, onde os alunos de Jornalismo passam um ou dois anos a estudar o ponto, a linha e o traço segundo as mais reputadas teorias da semiótica da imagem, mas de grafismo nada. E aqueles que têm a sorte de ouvir falar durante o curso em Photoshop, Flash ou Ilustrator, ou não têm computadores para toda a gente, ou não têm o software. Na pior das hipóteses, não têm nem professores que saibam o que fazer com isto. Se isto é assim na formação, a falta de sensibilidade dentro das redacções ainda será pior.

    A isto, somam-se as dificuldades do mercado português. Nas actuais circunstâncias económicas, dificilmente haverá directores a defender junto do seu conselho de administração a contratação de jornalistas, quanto mais jornalistas “para fazerem uns bonecos”. Aqueles que ousam – e aqui podemos incluir os jornais que já citámos – estão basicamente a remar sozinhos contra a maré, e depois sentem quiçá as dificuldades agravadas pelas insuficiências próprias do suporte (falo das métricas que não ajudam – contabilizar pageviews em infografias é uma estupidez enganadora, mas muitos sistemas não permitem mais e, além do mais, os administradores não querem saber de outra coisa).

    Como explicar então que os nossos jornais em papel sejam distinguidos, mas os mesmos órgãos passem ao lado no universo online? Para mim, continua a ser um mistério… mas não acredito que a falta de dimensão do nosso mercado explique tudo.

  6. Victor

    Por lapso escrevi Europa quando queria dizer Península Ibérica. Se a avaliação dos países é em separado, não está mencionado naquele quadro. Nas restantes categorias, há jornais portugueses e espanhóis, pelo que admitindo que a tua leitura é a correcta, explica porque fui induzido em erro.

    Admito que, como defendes, haja um problema de formação ao nível da infografia, mas mantenho que o problema mais grave me parece estar ao nível da sensibilidade dos próprios jornais e editores (Multimédia e outros) para esse recurso. Dito por outras palavras: não julgo que seja por não haver bons infográficos que as infografias, multimédia ou outras, não se fazem. É mais porque é mais fácil e mais rápido “ilustrar” com um foto e rapidamente colocar a informação “on-line”. E, em muitos casos, a rapidez é inimiga da qualidade do trabalho.

    Na minha leitura são precisas duas coisas: primeiro que o jornal, a administração do jornal, valorize – como dizes e bem – a infografia, ao ponto de investir em mais recursos (sobretudo humanos). Depois, que os próprios editores tenham essa sensibilidade para perceber que certos trabalhos podem ganhar muito com uma boa infografia multimédia. Mas isso, parece-me, irá demorar o seu tempo. Julgo que nas actuais redacções, à excepção de quem trabalha especificamente para os sites, há muito pouca gente a pensar numa lógica Multimédia. A maioria dos jornalistas ainda se preocupa em escrever textos e no que isso pode dar no papel. Perceber que um trabalho pode ter outra dimensão quando abordado de uma forma Multimédia, com infografias, podcasts, fotogalerias e videos, ainda não é para todos. Julgo que o problema passa também por aí.

    Um abraço,

  7. Pingback: Yasodara » Infografia em português

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