Há primeiras páginas irresistíveis

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Quer pelo que mostra, quer pela forma como o faz, a capa do PÚBLICO de ontem merece a referência. Vinte valores pela surpresa,  pela coragem (já salientada por Luís Santos), por deixar de fora a imagem fotográfica e apostar na imagem gráfica da palavra impressa. No cômputo final, a capa atinge uma coerência notável entre o que é a montra do jornal e a aquela imagem de um “país à escuta” que domina a esfera pública.

Mas não me admiraria que alguém viesse questionar a formulação da manchete. O texto a que se refere, está na página 4 e tem por título “PSP e SIS utilizam equipamento de forma abusiva”, seguido de uma super-entrada onde se lê que “Há microfones que captam através de paredes, telemóveis/gravadores, etc. Em Portugal existem nove entidades que podem escutar”. Podem escutar não significa que escutaram ou que possam ter escutado, significa simplesmente que essas nove entidades estão legalmente autorizadas a fazê-lo

Julgo que também não é frequente ver uma jornal dito de referência apostar num título tão dirigido ao leitor ( “…o seu telemóvel”), embora neste caso se corre o risco de obter uma leitura levemente alarmista. Por isso, parece-me que o título interior é menos especulativo que a manchete e teria sido preferível repensar a formulação encontrada. Se calhar não houve tempo. E quem sabe, lá se ia a ideia da primeira página.

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