Adobe vai colocar os seus programas na web

Dentro de uma década, programas populares da família Adobe como o Photoshop, o Indesign e o After Effects vão passar a ser aplicações “web-based” (que correm na net e não no computador pessoal). adobelogo-full.jpgA previsão é do CEO da Adobe, Bruce Chizen, que aproveitou o encontro Web2.0Summit para levantar o véu sobre o futuro das aplicações Adobe, segundo noticia a Reuters.

A migração de programas para a web parece ser um caminho para muitas famílias. Mas em relação à Adobe tenho as minhas dúvidas. Pela positiva, o uso online permitiria libertar a memória do disco que seria ocupada com a instalação e, eventualmente, com os nossos trabalhos. Além disso, poderia poupar-nos aos arranques (desesperadamente) lentos de alguns dos programas. Seria interessante, mas se é por isso, sr. Bruce, o que não falta são discos externos e a web não acelera arranques. Acresce que nenhuma empresa ou particular quererá ter os seus trabalhos algures na net, num servidor que não controla directamente.

A decisão de passar tudo para a web teria, no caso Adobe, muitos mais riscos. Imaginem, por exemplo, que são designers numa empresa e que têm o cliente à perna,  mas…  não há net, ou os servidores que alimentam o software web-based não estão disponíveis. Ou suponham, ainda, que estão em casa e que querem manipular uma fotografia panorâmica da piscina lá de casa, ou um vídeo caseiro com uma hora de duração. Já imaginaram a quantidade de trâfego que se arriscam a acrescentar à factura?

Convenhamos: aplicar um filtro no Photoshop não é bem a mesma coisa que escrever um texto ou construir uma tabela no Google Docs. E mesmo que os custos de trâfego não sejam problema, ou no futuro viessem a baixar (diz quem sabe, não vai acontecer), será que a rede tem arquitectura e capacidade para levar o Illustrator ou o Premiere aos cinco cantos do mundo sem se engasgar?

Talvez o CEO da Adobe acredite que a disponibilização online dos produtos trave a pirataria. Claro que quem pirateia esses produtos, sobretudo através das redes P2P, queixa-se (e com razão) dos preços sumptuosos que é preciso pagar para obter uma licença Adobe.  Ora, se é verdade que se pirateia por causa do preço, julgo que a medida mais acertada seria a nível comercial rever a tabela e a política de preços, e ao nível da produção optimizar e diversificar produtos e serviços para, com a ajuda do marketing, ganhar novos clientes.

Por fim, esperemos pelo desenvolvimento do Photoshop Express, no qual a Adobe tem vindo a trabalhar.

adobe_photoshop_express.jpg
GUI do Adobe Photoshop Express (imagem do Peopleware)

Trata-se de um editor de imagens web-based, e há quem sustente que se assume como concorrente ao Picasa, do Google. De qualquer forma, valerá a pena estar atento ao processo, uma vez que o Photoshop Express ainda não foi lançado. O desfecho poderá responder (ou não) a algumas destas dúvidas.

Discussão a seguir no Slashdot, link.
Notícia da Reuters, link

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