ChaCha vs. Google: a quem confiar as pesquisas na web?

A Universidade de Indiana, Estados Unidos, anunciou que vai abandonar o Google e adoptar o motor de busca ChaCha. A mudança é sustentada no facto de o ChaCha ser um motor de busca “guiado por pessoas”, como reclamam os fundadores do dito motor de busca, que recebeu um apoio financeiro de seis milhões de dólares de Jeff Bezos (patrão da Amazon), no início de 2007.

logo.pngPressupondo que o ChaCha, sendo apenas mais um motor de pesquisa, se destaca por ser um motor com toque humano, e que o contrário disto é o Google a representar a confiança na máquina, encaremos a decisão da Universidade de Indiana (uma escola pública), como a resposta a um dilema que qualquer utilizador da Web enfrenta: em quem confiar as pesquisas? 

Primeiro: Se o ChaCha é guiado por pessoas, requer mais mão-de-obra que o Google; logo sai mais caro manter o primeiro, que recorre à publicidade para financiar esse custo. Como se vê, o modelo de negócio do ChaCha é um anacronismo. Mais frouxo ainda é o argumento do “people powered”.

Segundo: basta conhecer o mínimo do funcionamento do Google para concluir que o actual líder de mercado também é um motor de busca “guiado” por pessoas. Vejamos: o algoritmo que permite calcular o pagerank que ordena os resultados  de uma busca tem em conta o número e “peso” dos links que apontam para uma determinada página (explicação superficial, para não me alongar em demasia). E links representam o quê? Pessoas. Neste caso, pessoas que apontam (com links) para um determinado sítio ou recurso ou documento na Web.

Conclusão: quem guia o Google são as pessoas (às vezes pessoas do próprio Google, como quando o Google censura) que alimentam a Web com a informação que o Googlebot reúne, indexa e guarda. E que depois devolve, em forma de uma resposta hierarquizada matematicamente, hierarquia essa definida pr um algoritmo que pondera o links (i.e., de pessoas a apontar) e estima, segundo modelos probabilísticos, um pagerank para cada página apanhada pelos crawlers e guardada nos servidores Google.

Google vs. ChaCha: quer ver como acaba?

O primeiro passo foi pesquisar por Prometeu no Google e no ChaCha. Os primeiros cinco resultados foram os seguintes:

Google

1. Prometeu – Wikipédia
2. Prometeu – Notícias de Universidades e Centros de Pesquisa
3. Prometeu e Pandora – Página dedicada à mitologia greco-romana
4. Prometeu – O nome Prometeu significa…
5. Prometeu – A figura trágica…

ChaCha

1. Circo Mínimo – Prometeu – Awarded best show…
2. Prometeu – Notícias de Universidades e Centros de Pesquisa
3. Thank you. Free web stats
4. Prometeu do Brasil – credito – emprestimos – financiamentos…
5. Prometeu – Notícias de Universidades e Centros de Pesquisa

Segunda conclusão: pelo menos nesta versão beta e nesta pesquisa, o ChaCha aponta para páginas que não têm relação alguma com a palavra-chave. Veja-se o resultado número 3., que aponta para uma página de um profissional de vídeo (alguém que pede 0,25 cêntimos a 20 mil cibernautas para comprar um Mac G5 que custa cinco mil dólares; em troca, o autor do pedido promete explodir o seu Mac G4 e gravar tudo para entretenimento dos “mecenas” e da Web em geral; já agora, confira os links no final, para saber se houve explosão).

Voltando ao teste, o ChaCha ofereceu resultados menos abrangentes no topo da lista, ignorando por exemplo a figura mitológica grega que deu origem ao nome Prometeu. Mas, estas conclusões valem quase nada, pois é o que vai na mente de quem pesquisa que determina se uma pesquisa fornece bons ou maus resultados. Se fosse à procura deste blogue, então encontrá-lo-ia na posição 6. no Google e na posição 11. no ChaCha.

O que realmente importava pôr à prova era a faceta de motor “people powered”. sshot-10.pngNa prática, traduz-se na possibilidade de interagirmos com um guia, uma pessoa que está “do outro lado” para nos ajudar na pesquisa (isso mesmo, mais um gatekeeper).

O serviço está disponível apenas para utilizadores registados. Cumprida a formalidade, solicitei a dita assistência.

O contacto demorou alguns dois/três minutos. Solicitei uma busca de representações visuais de Prometeu (a figura mitológia e não o astro). Ao cabo de alguns minutos de silêncio, fui transferido para outro guia, a quem tive de repetir tudo.

sshot-7.png

(Stacy: Ok let me see what I can find for you.)

 

Ao fim de mais uns cinco minutos, lá me deram duas sugestões. Nenhuma delas apontava para aquilo que constava do pedido de assistência. Mas o mais curioso foi notar que a origem dessas páginas sugeridas pelo meu gatekeeper era uma pesquisa no… Google. De forma educada, agradeci a ajuda do guia, e fechei o browser com uma certeza: lê-se TchaTcha, mas é uma chacha.

Cliques relacionados:

  • aqui para conhecer e testar o chacha (versão beta)

  • aqui para espreitar o site da Universidade de Indiana

  • aqui para ficar por dentro da decisão da Universidade de Indiana

  • aqui para conhecer o nascimento e o funcionamento do Google, na versão original contada pelos pais (link recomendado)

  • aqui para conferir se houve ou não explosão do Mac G4…   :)

4 responses to “ChaCha vs. Google: a quem confiar as pesquisas na web?

  1. Só faltou dizer que o novo Presidente (?) da universidade fez parte do Conselho de Administração do Chacha até há não muito tempo…

    Lá como cá🙂

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