Será a televisão para “pessoas inteligentes” feita por jornalistas-engenheiros?

Duas notas sobre a conferência RTP/Universidade do Minho, que presenciei hoje em Braga, subordinada ao tema “A dimensão educativa da televisão na era digital” (assisti às intervenções iniciais e não pude ficar até ao fim do debate, no qual de resto fiz questão de entrar):

1.º Para o actual director da RTP-N, os produtores de conteúdos de televisão encaram um desafio que é este – as novas tecnologias vão obrigar a “massificar uma TV diferente, mais interactiva”, o que obrigará a produzir uma TV para “pessoas inteligentes, que têm alternativas”.
E a próxima alternativa é dar o salto para o YouTube, onde a RTP vai em breve disponibilizar peças curtas ou encurtadas da programação oriunda da RTPN, como avançou José Alberto Lemos.
Não se trata (ainda?) de programar e produzir para uma plataforma do tipo YouTube, antes rentabilizar a produção existente e aproveitar novos canais de distribuição para ir de encontro ao espectador que optou por se desencontrar com o aparelho de TV.
Mais importante, o projecto da RTP Mobile, apresentado na conferência realizada na Universidade do Minho, revela que há um projecto arquitectado e em concretização para ir ao encontro dos novos recursos tecnológicos, das novas plataformas de distribuição. O novo paradigma, segundo José Alberto Lemos, passa por “dar a informação relevante de uma forma mais rápida”, ser mais expedito no que tem para se dizer ou mostrar. Como exemplo do caminho a seguir, o director da RTPN apontou um caso da imprensa, a última reformulação gráfica do diário Público.

2.º Os próximos tempos poderão ser os do jornalista-engenheiro. A hipótese (que também admite a versão engenheiro-jornalista e para mim é novidade) foi levantada por José Manuel Pérez-Tornero, da Universidade Autónoma de Barcelona, que foi outro dos oradores da tarde.
Segundo Pérez-Tornero, para o futuro há que desenvolver a “escrita tecnológica” para responder ao surgimento de um novo paradigma comunicacional no campo do que se designa por comunicação de massas. Uma escrita tecnológica que passa pelas novas tecnologias, mas que, na opinião de Pérez-Tornero, não deve deixar cair aquilo que torna a missão de informar uma actividade com natureza de serviço público, isto é, essa escrita terá que que “defender a fiabilidade, a veracidade”, a verificação e o cruzamento dos factos, da informação. E não privilegiar o que qualificou como a “histeria” actual dos programadores, que arrastaram o mundo para um “dilúvio mediático”, recheado de “grandes eventos”, mas com uma “informação cada vez mais superficial” e, sobretudo, “sem conhecimento”.

 

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