Adoptivo, afectivo, “adoptivo” – nuances narrativas

Ontem, o Tribunal Constitucional pronunciou-se sobre o processo de regulação do poder paternal no ‘caso Esmeralda’. Esta tarde, o Supremo Tribunal de Justiça anunciou que indeferiu o pedido de habeas corpus para a libertação do sargento Gomes, condenado a seis anos de prisão por sequestro da menor. Recomendo a leitura do acórdão (link em baixo), aprovado com um voto vencido que foi acompanhado de declaração de voto – de leitura igualmente obrigatória.

O que me leva a este post não é o conteúdo jurídico ou as decisões de direito tomadas por quem tem a dita competência. O que me desperta é a impressão com que fico depois da leitura da imprensa do dia. É a impressão de que algo terá mudado no discurso noticioso de alguns órgãos de comunicação sobre o famigerado ‘caso Esmeralda’.

Senão veja-se a diferença (no DN) entre esta notícia do DN (de 22.Jan.2007) e esta notícia de hoje. Ou (no JN), a diferença entre esta notícia (21.Jan.2007) e esta de hoje. O que se verifica é que no estrito âmbito da narrativa noticiosa, o pai adoptivo passou a designar-se como pai “adoptivo”, ou até mesmo como pai afectivo, segundo a opção de hoje do JN.

Ou seja, alguns textos noticiosos de hoje vêm corrigir ( e bem) uma imprecisão inicialmente mediatizada por narrativas noticiosas e que acabaram por infectar também os textos opinativos dos jornais ou da blogosfera. Por muito que custe a alguns jornalistas (por exemplo, Fernanda Câncio e João Pedro Henriques, do blog Glória Fácil e, hoje em dia, colegas de redacção no DN), há notícias de hoje que desautorizam as razões que têm invocado enquanto “andam à chapada” com certos críticos

  • Mais:
    Supremo Tribunal de Justiça indefere pedido de habeas corpus para o sargento Gomes. Link para o acórdão (via público.pt )

++ Arquivo Prometeu ++
O ‘caso Esmeralda’: equívocos

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5 responses to “Adoptivo, afectivo, “adoptivo” – nuances narrativas

  1. Foi precisamente este o tema de uma das perguntas do exame de Jornalismo 😀 O ‘framing’ no “caso Esmeralda”. Muito bom tema.

  2. Rui, parece-me que foi exactamente nesse ponto que alguns jornalistas e órgãos de comunicação social falharam.

  3. Exactamente. E não me parece que tenha sido uma falha de pouca importância.

  4. É óbvio e talvez isso me venha a penalizar. Escrevi demais sobre o caso e de menos sobre o ‘framing’ enquanto teoria 😀

  5. Very interesting blog. Sometimes I can’t help but show you my zany communist A joke for you! What goes “klip klop, klip klop, klip klop, BANG!!”? An Amish drive-by shooting.

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