Chomsky, a besta e a cadeia Wal-Mart

Noam Chomsky numa troca e-mails com a revista “The Beast”. O resultado é uma curta e divertida entrevista sobre coisas sérias publicada na edição n.º 113, relativa a Janeiro. Excertos:

noam-chomsky-copy.jpgThe Beast: Por que odeia a América?
Chomsky: […] Um princípio fundamental do totalitarismo é o de que o Estado se identifica com o povo, com a cultura, com a sociedade. Para os que adoptam tal princípio, a crítica do Estado é o mesmo que odiar o país. Na antiga União Soviética, por exemplo, os dissidentes eram condenados como “anti-sovietes” ou “inimigos da Rússia”, porque condenavam as políticas do santo Estado. […]

The Beast: Parece ter uma grande consideração pelo intelecto humano e no passado já assinalou as enormes capacidades que pessoas ‘normais’ demonstraram simplesmente comunicando na mais plana das linguagens. Dito isso: já alguma vez foi à Wal-Mart?
Chomsky: Com certeza. Levei lá os meus netos (…). Era o mais próximo, e também o mais barato. 

Também no número de Janeiro (para quem gosta de rankings), a revista escolhe as 50 personalidades norte-americanas mais repugnantes de 2006.

Curiosamente, você-o-cibernauta-(americano)-personalidade-do-ano-segundo-a-revista-Times é #16 nessa lista ordenada dos americanos mais asquerosos em 2006.  Há humor do melhor, mas também elucubrações disparatadas. Alguém arrisca o eleito para #1?… 

Sobre a revista

the-beats-cover_113.gifA revista “The Beast” avisa, em cada edição, que o conteúdo publicado são “profanações e opiniões impopulares que podem informar” o leitor. “America’s best fiend” (fiend= fanático; malvado, diabo) é como se auto-classifica A Besta no seu site, a partir do qual é possível descarregar em PDF ou consultar em HTML cada edição.

Publica-se desde Buffalo, pequena cidade esquecida numa ponta do estado de Nova York (com o Canadá à vista e as cataratas no Niagara por perto) como uma fanzine politicamente militante. Atrasa-se na saída para as bancas, quando não há dinheiro para pagar à gráfica ou porque os textos ainda não estão prontos. Graficamente é pouco atraente (edição 113, capa ao lado, 40 páginas) mas arranca capas com humor bem conseguido. Vale sobretudo por algum do conteúdo, como exercício crítico, por vezes absurdo – e enquanto isso, lúcido – do Zeitgeist.

  • Link para a entrevista completa de Noam Chomsky à “The Beast”
  • Link para a lista completa das 50 pessoas mais repugnantes dos Estados Unidos (2006)
  • Link para a lista completa das 50 pessoas mais repugnantes dos Estados Unidos (2005)
Anúncios

One response to “Chomsky, a besta e a cadeia Wal-Mart

  1. não conhecia, obrigado pela sugestão 😉

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s