Receitas com música digital duplicaram em 2006

MAIS: A censura no Google China inspira novos argumentos anti-pirataria

A música digital rendeu dois biliões de dólares (1,54 mil milhões de euros) em 2006. As receitas da indústria fonográfica com os downloads praticamente duplicaram em comparação com 2005, que fechou com vendas no valor de 1,1 biliões de dólares (848 milhões de euros). Os números constam do último relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla original inglesa), divulgado há três dias.

O catálogo disponível na web também duplicou: em 2006, passou de dois para quatro milhões de faixas musicais. Ou seja, o equivalente a 150 mil CD’s, aponta o relatório IFPI 2007, que recolhe as tendências de mercado verificadas em 2006. Downloads legais foram contabilizados 795 milhões (subida de 89 por cento em relação a 2005). As músicas isoladas e polifónicos são os mais procurados. Países como a Coreia do Sul e o Japão são os que mais descarregam música para telemóveis através da rede 3G, enquanto a Europa descarrega mais para o PC. As vendas de álbuns digitais e o download para leitores de mp3 portáteis também cresceram, junto das quase 500 lojas online que operam em 4o países.

Apesar deste crescimento, a música digital representa ainda uma pequena fatia (10 por cento) das receitas da indústria fonográfica, que quer acabar com o download ilegal de música. “Privar os infractores do serviço de internet devia ser a medida mínima”, reclama o presidente da IFPI, John Kennedy.

john-kennedy-ifpi-copy.jpgA realidade, no entanto, é bem diferente. O máximo que as editoras têm conseguido é perseguir judicialmente os infractores por violação dos direitos comerciais.

De acordo com o relatório da IFPI, mais de dez mil pessoas, num universo de 18 países – no qual Portugal se incluiu pela primeira vez -, foram alvo de processos judiciais em 2006. O valor mínimo reclamado em tribunal situa-se actualmente em 2.420 euros. O relatório estima que os resultados destas acções “estão a desincentivar a violação do copyright“, mas Jonh Kennedy garante que a indústria quer cortar o mal pela raiz e não nas salas de audiência.

“Acções judiciais individuais são onerosas e caras e não é a nós que deve caber esta responsabilidade”, reclama o presidente da IFPI, que aposta noutro caminho: obrigar as empresas fornecedoras de intenet, ou Internet Service Providers (ISPs) a bloquear o trâfego de conteúdos protegidos. Para Kennedy, travar o upload e o download  ilegal “é uma tarefa dos ISPs, enquanto ‘gatekeepers’ da web”. “É inquestionável que [os ISPs] possuem os meios técnicos para lidar com a violação dos direitos de propriedade intelectual. Basta que queiram”, sublinha.

O “exemplo” Google China

O relatório da IFPI revela, também, como o comportamento do gigante Google na China inspirou novos argumentos anti-pirataria junto das companhias discográficas. E tudo por causa do Google China, a versão exclusiva, e censurada dos chineses, que a empresa do Silicon Valley (Califórnia, costa oeste dos Estados Unidos) anunciou, há precisamente um ano. No Google China, como noticiou o New York Times em Abril de 2006, o motor de busca expurga das pesquisa todos os sites desaprovados pelo governo da República Popular da China, “incluindo sites que defendam a liberdade de expressão, ou promovam o movimento espiritual-religioso Falun Gong (proibido pelo governo), ou que mencionem o massacre da Praça de Tiananmen de 1989.”

“Houve tempos em que quem exigia a regulação da Internet era considerado um novo filisteu dos Media. Mas agora a Google prometeu ao governo chinês que a censura é possível. E depois a Google colocou a BMW na lista negra por comportamento anti-social. Parece que todo o tipo de coisas pode ser regulado, menos a propriedade intelectual”, argumenta a federação das editoras, que quer obrigar os fornecedores de Internet a bloquear o trâfego de ficheiros que violam o copyright.

Será o novo argumento das editoras, baseado na experiência de censura no Google China, suficiente para encostar os ISPs à parede? Aparentemente, a própria IFPI admite que não. Por isso, faz um apelo aos governos mundiais, na introdução do relatório, para que “obriguem os ISPs a assumir tal responsabilidade”. Um apelo que nem será necessário para o governo inglês. Em finais de 2006, o executivo de Tony Blair terá dado sinal à IFPI de que quer ver “resultados tangíveis”, até Dezembro de 2007, no combate à pirataria.

  • Link para o relatório IFPI 2007 (referente ao mercado em 2006)
    capa-ifpi.jpg
    (PDF/24 p./5,59 MB)
  • Link para compreender como foi a BMW parar à lista negra do Google 

4 responses to “Receitas com música digital duplicaram em 2006

  1. tenho dúvidas sobre a subjugação de uma empresa como a Google a ideais contrários aos da liberdade. já na altura me fez confusão. será que se pode fazer um igual para Cuba, ou não valerá a pena económica? o mundo ocidental é muito coerente consigo mesmo…

  2. Para as Google deste planeta (e, já agora, às Chinas e Cubas espalhadas pelo mundo), liberdade de expressão vem depois da expressão (bem americana, por sinal) “business as usual”. Mas, raios, é este o exemplo de Internet perfeita que interessa às editoras?

  3. Pingback: Tailândia desbloqueia acesso ao YouTube (ou a Internet livre como ilusão) « PROMETEU

  4. hey !!
    its very point of view.
    Nice post.
    realy good post

    thank you😉

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