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E que tal (um pouco de) jornalismo sobre o iPhone?

Julho 12, 2008 · 1 Comentário

Onde é que acaba o jornalismo e começa a propaganda? Dou comigo a folhear os jornais dos últimos dias, mas em especial os de hoje, e a pensar nesta pergunta por causa da ampla cobertura que é dada ao lançamento do iPhone da Apple em Portugal (e mais 21 países). A maior parte das peças que li são reportagens sobre o movimento registado nas lojas que puseram o dito gadget à venda. Mas também se encontram crónicas-a-meio-caminho-do-tipo-confissão-pessoal (vejam-se os artigos de Isabel Coutinho e Paulo Moura no caderno P2 do PÚBLICO). Ou vídeos acerca do lançamento (aqui, no JN), ou sobre o humor que se faz com o gadget do momento.

Em todas essas peças (no DN e também na versão impressa do Correio da Manhã, que dedica 3+1 páginas ao assunto, sendo a página +1 reservada a um texto que tem como título algo como “Famosos loucos com o iPhone” – uma no cravo e outra na ferradura, porque este texto do CM dá-nos ao menos um importante enquadramento do negócio), domina a vox populi, contando peripécias e opiniões sobre o “telemóvel perfeito” (Paulo Moura dixit, in PÚBLICO), um “desses raros e felizes momentos” que é o iPhone (Paulo Moura, novamente).

Jornalismo Uau!

Com uma ou outra excepção, sou levado a concordar com a quantidade de atenção mediática que o assunto está a merecer. Mas, depois de passar os olhos pelos jornais, questiono-me: onde é que acaba o jornalismo e começa a propaganda? O que é que distingue este trabalho, sem ponta de espírito crítico, da publicidade gratuita a um produto da moda? Será que a invenção da Apple, ao preço de cem contos, na moeda antiga, merece apenas o “Whow” (ou Uau!) das redacções? Agora comparem, por exemplo, os vídeos a que fiz referência acima, com este do New York Times (para o qual já fiz link aqui em Janeiro de 2007), que demonstra bem a apetência do jornalismo para o “whow” , mas que não deixa de salientar que “a função telemóvel do iPhone é bem capaz de ser o menos interessante ou importante”.

A questão que aqui se levanta vale para outros momentos do nosso jornalismo, e para outros “produtos” das nossas vidas. O que, hoje em dia, se encontra escrito e dito nos media a propósito de um disco, dum livro, dum filme resume-se (mais do que seria desejável) a confundir-nos e não a informar-nos. São textos que transpiram o desejo de envolver o leitor-consumidor na “onda whow”, a anos-luz do que exigiria a missão do jornalista.

Revisitar Casablanca

Uns dias antes do início do Euro 2008, David Trueba e Gonzalo Suárez, dois cineastas espanhóis e dedicados amantes do futebol, deram uma curiosa entrevista conjunta. O tema era o futebol, mas parte dela merece ser recordada nesta altura. Dizia Trueba (n. 1969) que “os meios de comunicação acabaram com a poesia”.

“Quando era pequeno, lia o que se escrevia sobre o cinema para ser meljor espectador, para encontrar nos filmes coisas que não soube encontrar. Como hoje vivemos na época de dourar a pílula ao consumidor, o que se escreve sobre as coisas tem como objectivo criar piores espectadores”, afirmou Trueba. “Fazem-te acreditar que o que estás a ver é bom e, bem…. perdeu-se o sentido crítico e a ideia de tornar melhor quem olha para as coisas”. E Gonzalo Suárez (n. 1934) logo acrescentou: “O problema é a inflação, o exagero. A partida [de futebol] do século joga-se a cada semana. E o melhor romance da década sai a cada dois meses”.

Nessa coisa não jornalística que é o blogue, continua a fazer-se muito do trabalho que deveria ser feito nos media tradicionais. E o que não é novidade para ninguém, quem quiser ler algo com sentido crítico sobre o iPhone, ou escolhe bem o jornal que lê ou então já sabe que deve revisitar Humphrey Bogart: “We’ll always have the blogosphere”.

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Controlinveste, 3 – Benfica, 1

Junho 26, 2008 · Deixe um comentário

Uma das notícias do dia (será mesmo notícia?) é a de que a Fifa mandou retirar seis pontos ao SL Benfica por causa de uma dívida do clube da Luz ao América FC, relativa à venda do jogador Alcides.

Espantosa coincidência: a notícia é manchete em três jornais, DN, JN, e O Jogo, nas respectivas versões impressas. Publicações que têm todos o mesmo dono, Joaquim Oliveira, da Controlinveste. Será mesmo coincidência? Efeito da concentração? Ou estratégia ”insidiosa”, como diz o Benfica no comunicado enviado à CMVM?

PS: Nos outros jornais do dia, incluindo o PÚBLICO, não há referência alguma à história, com excepção do (benfiquista?) Correio da Manhã, que, na última página da versão impressa, resume a história numa breve de “última hora” onde cita uma “fonte do clube da Luz” e onde dá conta que a FIFA “anulou a sanção” que havia aplicado às “águias”. A trabalhar há um mês na secção de desporto, fico cada vez mais com dúvidas sobre muito do “jornalismo” desportivo que por aí se pratica. E é cada vez mais claro o poder das fontes e dos interesses que passam ao lado de qualquer escrutínio jornalístico

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Hoje há minorias

Fevereiro 18, 2008 · 2 Comentários

Timor-Leste – o primeiro filho do século XX – treme mais que nunca. Curiosamente na mesma altura chega o segundo filho, o Kosovo. Aproveitemos o primeiro dia de vida da nova república para olhar puzzle da minorias.

Para ajudar à leitura, um link para a lista de todas as minorias europeias (não se espantem se virem na lista os alemães – para todos os efeitos são uma minoria europeia) e outro link para a página de entrada no portal das Nações sem Estado e das minorias europeias: o Eurominority.

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Maria José Morgado por Maria José Morgado: a magistrada que defende quotas para homens

Janeiro 28, 2008 · Deixe um comentário

“Éramos um grupinho de universitários. Eu era uma marrona maoísta, uma criatura absurda”. A toda-poderosa magistrada, ex-MRPP, bebe um café com o correspondente do EL PAÍS em Lisboa, Miguel Mora, e apresenta-se numa crónica que hoje domina a última página da versão impressa daquele jornal.

Sobre o seu passado. Maria José, acrescenta: “O filme La Chinoise (O Maoísta, em Portugal), do Godard, retratava-nos na perfeição: arquétipos estúpidos e lunáticos, pensávamos que o mundo era preto ou branco. Queríamos tomar o poder e globalizá-lo, mas ainda bem que não o tomámos!”

Depois - continua Morgado – “caiu o Muro e tomámos o outro poder”. E foi assim que esses grouppies “estúpidos e lunáticos” (que incluía Durão Barroso), tiveram destinos diferentes: “uns tornaram-se intelectuais, enquanto outros fazem hoje parte dessas élites burguesas que tanto odiávamos”. O que dirá disto o presidente da Comissão Europeia?

Sobre Portugal, conclui Morgado: “Somos um país pendente, abandonado, muito perto de África e longe da Europa. Chegar à Bélgica ou à Holanda continua a ser uma viagem longa. A Internet aproximou as elites mas o povo continua à margem”. Haverá solução?, pergunta o jornalista.  “Os portugueses queixam-se muito até ao dia em que chegue o bom tempo. De Abril a Outubro, preferem a praia.”

Sobre a justiça, Morgado salienta o domínio da presença feminina na estrutura judiciária, com excepção do Supremo. O que, segundo a magistrada, poderá dar problemas no futuro porque as mulheres têm uma visão diferente do mundo e aplicam a justiça à sua maneira. ”Parece-me bem, mas não sei se é justo”, atira. Por essa razão, Morgado vaticina a introdução de quotas para homens na Justiça. Para ler na íntegra aqui

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Venha daí esse provedor do cibernauta

Janeiro 17, 2008 · Deixe um comentário

Deve haver poucos portugueses com uma ligação à internet que se sintam totalmente satisfeitos com o serviço e o preço cobrado pelo respectivo Internet Service Provider (ISP) em Portugal. Há casos quase patológicos de insatisfação (qualquer cliente Netcabo, por exemplo, sabe do que estou a falar), mas as queixas não são um exclusivo nacional. Ao contrário do que muitos poderão pensar, a verdade é que “lá fora” é como “cá dentro”. Os espanhóis, por exemplo, sentem-se “chulados” pelos ISP e ainda há dias se queixaram publicamente das (más) condições de mercado no acesso à banda larga. Numa penada, nuestros hermanos – que são campeões mundiais nos downloads, segundo um estudo internacional realizado em 2007 - queixam-se de serem os europeus com a banda larga mais cara e mais lenta e, não admira pois, que exijam um novo modelo de regulação, que defenda os clientes e garanta preços justos para serviços de qualidade.

Problemas com os quais poderíamos nós muito bem, não fosse a sina portuguesa tão má quanto a dos vizinhos do lado, que dizem esperar dez minutos ao telefone, em média, para serem atendidos pelo apoio ao cliente dos ISP (dez? isso não é nada dirão uns tantos cibernautas portugueses). Infelizmente, até agora ainda não se encontrou um modelo de regulação eficaz para pôr termo aos desmandos dos prepotentes ISP, que não hesitam em prometer este mundo e o outro através da publicidade e, uma vez conquistado o cliente, largam este à mercê da triste realidade que é pontuada pela incompetência (quando não a má vontade). A Anacom nunca foi (e talvez nunca venha a ser) aquilo que muitos de nós gostaríamos e, concluindo, resta ao azarado cliente protestar aos ouvidos das inenarráveis linhas de apoio ao cliente (muitas delas fazendo-se pagar a peso de ouro em cada chamada recebida).

O que fazer para mudar este estado de coisas? A nível europeu, parece não haver grandes ideias. A Comissão Europeia pensa na criação do mercado único de conteúdos digitais – o que demonstra mais preocupação com as empresas de conteúdos e o copyright do que propriamente com um fair market de Internet. Fora isso, fala-se na criação de um provedor do cibernauta, uma figura já existente na Comunidade de Madrid, e que ontem foi proposta pelo Partido Socialista Espanhol, o PSOE, para toda a Espanha. É uma proposta simpática, avançada como proposta eleitoral num encontro que serviu também para os dirigentes do PSOE passarem a mão no pêlo dos jornalistas aqui do lado, numa altura em que o país está a dois meses de eleições legislativas. Fica por isso a dúvida se é uma ideia para levar a sério, ou se não passa de um sound byte eleitoralista do partido de Zapatero. Mas que já faz falta quem nos defenda da mala educación dos ISP, disso parece não haver dúvidas.

Outras histórias: 

Notícias publicadas ontem por mão própria nas secções de Tecnologia e de Cultura do ELPAÍS.com: originais do Goya, do Velázquez, ou do Cervantes estão desde ontem disponíveis gratuitamente em formato digital no site da nova Biblioteca Digital Hispánica - são mais de 10 mil documentos online, para consultar ou descarregar sem custos; e na Grécia foi descoberto um caderno de desenhos que se crê ter sido do pintor holandês Vincent Van Gogh.

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A Itália não sabe mesmo o que fazer com o lixo

Janeiro 12, 2008 · Deixe um comentário

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É só rir, é só rir

Janeiro 11, 2008 · Deixe um comentário

sshot-3.pngFoi uma sexta-feira muito divertida. Primeiro, a discussão em torno da nova letra do hino espanhol. Um tema sensível, e só vos digo: um verdadeiro mimo estes nuestros hermanos. Fartos de cantar “lalala” e “chunda chunda” quanto toca o hino, lançaram um concurso para arranjar uma letra para o dito cujo. O vencedor foi este, escrito por um desempregado manchego de 52 anos de idade, autor do poema com que se pretende substituir a letra antiga (franquista e, por isso, proibida). O diário ABC meteu a ‘cacha’ no site, deixando furiosa a organização do concurso, que queria apresentar o poema com pompa e circunstância ao país.

No El País saímos à rua (vejam o vídeo, screenshot em cima) e no site vão-se avolumando comentários (no momento em que escrevo, são 607!). É só rir, é só rir…

Depois, … mais risota por causa do remake americano do “Por qué no te callas” protagonizado por Condoleeza Rice e George Bush. ”Shut your mouth” disse a primeira ao segundo, conta o correspondente do El País em Israel. Nada como uma boa gargalhada para acabar a semana, num dia em que me ocupei também de noticiário que por acaso até envolvia Portugal e (sem piada nenhuma) da crise no Quénia.

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Há primeiras páginas irresistíveis

Outubro 31, 2007 · 1 Comentário

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Quer pelo que mostra, quer pela forma como o faz, a capa do PÚBLICO de ontem merece a referência. Vinte valores pela surpresa,  pela coragem (já salientada por Luís Santos), por deixar de fora a imagem fotográfica e apostar na imagem gráfica da palavra impressa. No cômputo final, a capa atinge uma coerência notável entre o que é a montra do jornal e a aquela imagem de um “país à escuta” que domina a esfera pública.

Mas não me admiraria que alguém viesse questionar a formulação da manchete. O texto a que se refere, está na página 4 e tem por título “PSP e SIS utilizam equipamento de forma abusiva”, seguido de uma super-entrada onde se lê que “Há microfones que captam através de paredes, telemóveis/gravadores, etc. Em Portugal existem nove entidades que podem escutar”. Podem escutar não significa que escutaram ou que possam ter escutado, significa simplesmente que essas nove entidades estão legalmente autorizadas a fazê-lo

Julgo que também não é frequente ver uma jornal dito de referência apostar num título tão dirigido ao leitor ( “…o seu telemóvel”), embora neste caso se corre o risco de obter uma leitura levemente alarmista. Por isso, parece-me que o título interior é menos especulativo que a manchete e teria sido preferível repensar a formulação encontrada. Se calhar não houve tempo. E quem sabe, lá se ia a ideia da primeira página.

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É no que dá o jornalismo preguiçoso

Outubro 23, 2007 · 6 Comentários

Há dias, recebi na caixa de e-mail o comunicado à imprensa mais estranho dos últimos anos. Resumindo em poucas palavras, anunciava a constituição de uma sociedade comercial para abrir um café no Largo do Toural, em Guimarães, com ltmdtac.jpgo nome de (adivinhem lá…) Café Toural, designação de um café mítico para aquela cidade. O caso que cito acabou mal para (pelo menos) um jornal local, que acabou por publicar uma peça falsa com grande destaque, evidenciando o pior do jornalismo sentado que se pratica por aí.

O “press release” acrescentava ainda que a tal sociedade comercial estava naquele momento a negociar a realização do projecto com “um importante arquitecto espanhol”. 

Porquê a estranheza? Primeiro, o comunicado era assinado por um Relações Públicas que não incluía qualquer contacto, nem da sociedade nem da agência de comunicação. Mau profissional, ainda pensei… Segundo, o press release anunciava que a inauguração aconteceria no dia da reabertura do Largo do Toural depois das obras de renovação urbana a que vai ser sujeito (problema: nem a autarquia sabe quando começam as obras no largo; dois, três, quatro, cinco anos?).

Obviamente, desconfiei daquilo tudo, embora já sonhasse com um edifício do Santiago Calatrava plantado no meio de Guimarães. Mas fiz então aquilo que qualquer jornalista faria (pensava eu), ou seja, respondi ao mail fornecendo os meus contactos todos e pedindo um contacto pessoal com representantes da sociedade e mais informações. Recebi logo uma reposta, também por e-mail, onde me diziam que estavam em Albacete a negociar com o arquitecto, mas que assim que regressassem ao país, entrariam em contacto. Entretanto fiz outros contactos, inclusive outros camaradas jornalistas, a câmara local, historiadores que, por acaso, até foram clientes do Café Toural original, que foi uma espécie de viveiro cívico local até à década de 1970. Mas uma semana depois, tive que voltar à carga e mandei novo e-mail. Responderam-me então assim:

(…) A notícia do Café Toural foi um simples exercício para ver como funcionava o nosso jornalismo de copy & paste. A verdade é que o resultado foi deveras curioso… (…) Portanto, a abertura do Café Toural não é, infelizmente, notícia. A não ser este Café Toural, onde, não tarda, aparecerá algo sobre esta não notícia.

Apesar do método enganoso, foi curioso e revelador de quem é preguiçoso e não cumpre regras elementares do jornalismo como a verificação de informação e o cruzamento de fontes. Curioso e revelador da facilidade com que, tendo um e-mail à disposição, se pode interferir com as agendas mediáticas, inclusive com falsidades – basta encontrar jornalistas preguiçosos.

O caso acabou mal para o semanário local Expresso do Ave que, na edição n.º 827 de 10 de Outubro de 2007, dedica a página 3 à reprodução quase na íntegra do comunicado falso, e chamava o assunto à capa com um título em destaque que dizia “Querem reabir o café Toural”. Lamentavelmente, uma notícia falsa, construída a partir de um comunicado falso lançado por bloggers. É no que dá o “jornalismo” preguiçoso.

PS: Como nem sempre o semanário em causa me chega às mãos, não sei se entretanto o jornal já publicou um desmentido.

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Adobe vai colocar os seus programas na web

Outubro 23, 2007 · Deixe um comentário

Dentro de uma década, programas populares da família Adobe como o Photoshop, o Indesign e o After Effects vão passar a ser aplicações “web-based” (que correm na net e não no computador pessoal). adobelogo-full.jpgA previsão é do CEO da Adobe, Bruce Chizen, que aproveitou o encontro Web2.0Summit para levantar o véu sobre o futuro das aplicações Adobe, segundo noticia a Reuters.

A migração de programas para a web parece ser um caminho para muitas famílias. Mas em relação à Adobe tenho as minhas dúvidas. Pela positiva, o uso online permitiria libertar a memória do disco que seria ocupada com a instalação e, eventualmente, com os nossos trabalhos. Além disso, poderia poupar-nos aos arranques (desesperadamente) lentos de alguns dos programas. Seria interessante, mas se é por isso, sr. Bruce, o que não falta são discos externos e a web não acelera arranques. Acresce que nenhuma empresa ou particular quererá ter os seus trabalhos algures na net, num servidor que não controla directamente.

A decisão de passar tudo para a web teria, no caso Adobe, muitos mais riscos. Imaginem, por exemplo, que são designers numa empresa e que têm o cliente à perna,  mas…  não há net, ou os servidores que alimentam o software web-based não estão disponíveis. Ou suponham, ainda, que estão em casa e que querem manipular uma fotografia panorâmica da piscina lá de casa, ou um vídeo caseiro com uma hora de duração. Já imaginaram a quantidade de trâfego que se arriscam a acrescentar à factura?

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