Joshua Marshall, fundador do reputado blogue político Talking Points Memo (TPM) e do mais indefinível TPM Muckraker, é o primeiro blogger a figurar na lista dos prémios de jornalismo Polk Award. O galardão é atribuído desde 1949 ao melhor jornalismo de investigação publicado nos Estados Unidos e a lista dos trabalhos vencedores de 2007 é longa. Marshall venceu na categoria de jornalismo judiciário, pela série de trabalhos de investigação que publicou (com Paul Kiel e Justin Rood) sobre as pressões políticas da Administração Bush que tinham como alvo diversos procuradores. Um caso que acabou com amplo destaque nos media tradicionais e que conduziu à saída do Attorney General (Procurador-Geral), Alberto Gonzalez, em Setembro de 2007. (sugestão recolhida no Cyberjournalist)
Duas notas:
Muckraker é o nome que se dá nos Estados Unidos ao jornalismo que começou por desenvolver-se no final do século XIX e inícios do século XX e que investiga o crime, a corrupção, o abuso. Joseph Pulitzer (1847-1911), patrono dos prémios de jornalismo mais cobiçados hoje em dia, foi um dos primeiros jornalistas muckraker.
Por cá, no século XXI, leva-se a tribunal qualquer blogger que ponha em causa a educação dum político, e tenta-se lançar a lama para cima dos jornalistas que publicam jornalismo de investigação em jornais. Nessa contraditória América, que ainda aplica a pena de morte, até se premeiam os bloggers como jornalistas de investigação quando estes, através dos trabalhos nos blogues, repõem a verdade pública.
“Éramos um grupinho de universitários. Eu era uma marrona maoísta, uma criatura absurda”. A toda-poderosa magistrada, ex-MRPP, bebe um café com o correspondente do EL PAÍS em Lisboa, Miguel Mora, e apresenta-se numa crónica que hoje domina a última página da versão impressa daquele jornal.
Sobre o seu passado. Maria José, acrescenta: “O filme La Chinoise (O Maoísta, em Portugal), do Godard, retratava-nos na perfeição: arquétipos estúpidos e lunáticos, pensávamos que o mundo era preto ou branco. Queríamos tomar o poder e globalizá-lo, mas ainda bem que não o tomámos!”
Depois - continua Morgado – “caiu o Muro e tomámos o outro poder”. E foi assim que esses grouppies “estúpidos e lunáticos” (que incluía Durão Barroso), tiveram destinos diferentes: “uns tornaram-se intelectuais, enquanto outros fazem hoje parte dessas élites burguesas que tanto odiávamos”. O que dirá disto o presidente da Comissão Europeia?
Sobre Portugal, conclui Morgado: “Somos um país pendente, abandonado, muito perto de África e longe da Europa. Chegar à Bélgica ou à Holanda continua a ser uma viagem longa. A Internet aproximou as elites mas o povo continua à margem”. Haverá solução?, pergunta o jornalista. “Os portugueses queixam-se muito até ao dia em que chegue o bom tempo. De Abril a Outubro, preferem a praia.”
Sobre a justiça, Morgado salienta o domínio da presença feminina na estrutura judiciária, com excepção do Supremo. O que, segundo a magistrada, poderá dar problemas no futuro porque as mulheres têm uma visão diferente do mundo e aplicam a justiça à sua maneira. ”Parece-me bem, mas não sei se é justo”, atira. Por essa razão, Morgado vaticina a introdução de quotas para homens na Justiça. Para ler na íntegra aqui
Muitos dirão que a careca foi descoberta há muito – e que não haverá capachinho que tape tão grande buraco. Mesmo assim há quem ainda não se dê por satisfeito (ainda bem) e queira tirar a prova dos nove aos argumentos que justificaram a invasão do Iraque pela força internacional liderada pelos Estados Unidos. O contributo mais recente vem da organização não governamental Center For Public Integrity (CPI), nos EUA, que acaba de publicar as suas contas: depois de investigar a fundo múltiplas declarações feitas ao longo de meses (desde o 11 de Setembro de 2001 até ao início da invasão) e prestadas por oito responsáveis da Casa Branca (o Presidente Bush e sete acólitos), o CPI contabilizou 935 declarações que considera serem falsas. O CPI dedica-se ao jornalismo de investigação em torno de questões de interesse público e, entre os diversos documentos agora publicados, encontra-se o quadro que se anexa e que apresenta a distribuição mensal dos argumentos falsos invocados pela administração norte-americana.
A Casa dos Representantes (câmara baixa do Congresso dos EUA, actualmente de maioria democrata) acaba de aprovar uma nova lei federal, o Free Flow of Information Act, que oferece protecção jurídica ao sigilo profissional dos jornalistas e também de (alguns) bloggers (profissionais), segundo a opinião de jornalistas norte-americanos.
O texto aprovado pelos Representantes oferece protecção de “documentos e fontes” apenas a quem “de forma remuneradaexerce actividades de jornalismo”, tarefas como “reunir, preparar, compilar, fotografar, gravar, escrever, editar, reportar e publicar notícias ou informações relativas a eventos locais, nacionais ou internacionais bem como a outros assuntos de interesse público, com o intuito de disseminar informação para o público”. (mais…)
Poucos dias após o desaparecimento da pequena Madeleine McCann, entrevistei (no âmbito de um trabalho académico) a directora do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho, Felisbela Lopes, docente e investigadora doutorada com uma tese sobre informação televisiva. Com as televisões e a imprensa novamente em cima do tema (até à exaustão), decidi colocar online algumas ideias dessa entrevista, pois mantém-se actual. No centro da conversa, o trabalho dos jornalistas e a sua relação com a investigação judicial que, 100 dias volvidos, não deslindou ainda o mistério .
Ontem, o Tribunal Constitucional pronunciou-se sobre o processo de regulação do poder paternal no ‘caso Esmeralda’. Esta tarde, o Supremo Tribunal de Justiça anunciou que indeferiu o pedido de habeas corpus para a libertação do sargento Gomes, condenado a seis anos de prisão por sequestro da menor. Recomendo a leitura do acórdão (link em baixo), aprovado com um voto vencido que foi acompanhado de declaração de voto – de leitura igualmente obrigatória.
O que me leva a este post não é o conteúdo jurídico ou as decisões de direito tomadas por quem tem a dita competência. O que me desperta é a impressão com que fico depois da leitura da imprensa do dia. É a impressão de que algo terá mudado no discurso noticioso de alguns órgãos de comunicação sobre o famigerado ‘caso Esmeralda’.
Senão veja-se a diferença (no DN) entre esta notícia do DN (de 22.Jan.2007) e esta notícia de hoje. Ou (no JN), a diferença entre esta notícia (21.Jan.2007) e esta de hoje. O que se verifica é que no estrito âmbito da narrativa noticiosa, o pai adoptivo passou a designar-se como pai “adoptivo”, ou até mesmo como pai afectivo, segundo a opção de hoje do JN.
Ou seja, alguns textos noticiosos de hoje vêm corrigir ( e bem) uma imprecisão inicialmente mediatizada por narrativas noticiosas e que acabaram por infectar também os textos opinativos dos jornais ou da blogosfera. Por muito que custe a alguns jornalistas (por exemplo, Fernanda Câncio e João Pedro Henriques, do blog Glória Fácil e, hoje em dia, colegas de redacção no DN), há notícias de hoje que desautorizam as razões que têm invocado enquanto “andamàchapada” com certoscríticos…
Mais: Supremo Tribunal de Justiça indefere pedido de habeas corpus para o sargento Gomes. Link para o acórdão (via público.pt )
Recebi hoje na caixa de e-mail um convite para subscrever a petição online que reclama a libertação do militar português Luís Gomes, condenado a seis anos de prisão pelo Tribunal Colectivo do Círculo Judicial de Tomar, por alegado sequestro de uma menor. Um caso em que parece ter havido Direito sem Justiça e que, por isso mesmo, agita os Media, inunda a esfera pública de comentários e emociona o país.