Entradas desde Fevereiro 2008
Joshua Marshall, fundador do reputado blogue político Talking Points Memo (TPM) e do mais indefinível TPM Muckraker, é o primeiro blogger a figurar na lista dos prémios de jornalismo Polk Award. O galardão é atribuído desde 1949 ao melhor jornalismo de investigação publicado nos Estados Unidos e a lista dos trabalhos vencedores de 2007 é longa. Marshall venceu na categoria de jornalismo judiciário, pela série de trabalhos de investigação que publicou (com Paul Kiel e Justin Rood) sobre as pressões políticas da Administração Bush que tinham como alvo diversos procuradores. Um caso que acabou com amplo destaque nos media tradicionais e que conduziu à saída do Attorney General (Procurador-Geral), Alberto Gonzalez, em Setembro de 2007. (sugestão recolhida no Cyberjournalist)
Duas notas:
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Muckraker é o nome que se dá nos Estados Unidos ao jornalismo que começou por desenvolver-se no final do século XIX e inícios do século XX e que investiga o crime, a corrupção, o abuso. Joseph Pulitzer (1847-1911), patrono dos prémios de jornalismo mais cobiçados hoje em dia, foi um dos primeiros jornalistas muckraker.
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Por cá, no século XXI, leva-se a tribunal qualquer blogger que ponha em causa a educação dum político, e tenta-se lançar a lama para cima dos jornalistas que publicam jornalismo de investigação em jornais. Nessa contraditória América, que ainda aplica a pena de morte, até se premeiam os bloggers como jornalistas de investigação quando estes, através dos trabalhos nos blogues, repõem a verdade pública.
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No final de Janeiro de 2008, a Netcraft contabilizou 155 583 825 de sites (linha azul no gráfico), em todos os domínios. A linha vermelha representa os sites activos, que são bem menos. Mais, aqui.
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E chama-se Expresso. Ao lado do inglês ‘The Guardian’, do alemão ‘Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung’ e do semanário russo ‘Akzia’, o semanário da Impresa acaba de receber o prémio “World’s Best-Designed Newspaper”, atribuído pela Society for News Design (SND). Mais aqui.
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Nos últimos tempos, o Wikileaks era uma espécie de baú das verdades. O mais certo era que qualquer investigação jornalística envolvendo figuras poderosas da política ou da economia, ou relacionadas com temas de Estado ou militares, acabasse por ir parar ao sítio do Wikileaks na Internet. Na última sexta-feira, dia 15, esse valioso cofre – que se tornou famoso por publicar documentos privados ou classificados “em nome da transparência pública” - foi encerrado. Ou melhor, suspenso.
A ordem veio de um juiz da costa oeste dos Estados Unidos, na Califórnia, que aprecia a queixa apresentada por um banco suíço por causa da publicação no Wikileaks de documentos comprovam a vulnerabilidade de paraísos fiscais como as Ilhas Caimão para indetectáveis manobras de lavagem de dinheiro. Foi com o Wikileaks que o mundo ficou a conhecer melhor Guantánamo ou que a lavagem de dinheiro do antigo presidente do Quénia, Daniel Arap Moi, chegou à primeira página do diário inglês Guardian, em Setembro de 2007.
Apesar da suspensão judicial, o acesso ao Wikileaks continua disponível (quer directamente pelo IP, quer pelo wikileaks.be). A organização diz que vai continuar as suas actividades e que vai dedicar ainda mais atenção ao caso que conduziu à sua proibição. Na segunda-feira, dia 18, ou seja três dias após a ordem judicial, a equipa emitiu um comunicado, com a sua versão dos factos. No comunicado, a equipa acrescenta ainda que vai defender-se desta ”censura”. “É uma decisão inconstitucional”, tomada por “um juiz nomeado por Bush” e “sem ouvir a defesa”, afirmam. Foto: Augusto Peixoto, retirada daqui.
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Timor-Leste – o primeiro filho do século XX – treme mais que nunca. Curiosamente na mesma altura chega o segundo filho, o Kosovo. Aproveitemos o primeiro dia de vida da nova república para olhar puzzle da minorias.
Para ajudar à leitura, um link para a lista de todas as minorias europeias (não se espantem se virem na lista os alemães – para todos os efeitos são uma minoria europeia) e outro link para a página de entrada no portal das Nações sem Estado e das minorias europeias: o Eurominority.
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No eixo dos xx, as pesquisas feitas no Google. No eixo dos yy, as pesquisas feitas no Yahoo!. O tamanho da circunferência representa a propensão para gastar 500 dólares online em quatro semanas. As cores distinguem classes profissionais e estilos de vida. Vejam pelos vossos olhos.
Link, Hitwise Report: Google vs. Yahoo!
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A premissa do título é uma invenção. O meu jornal online é um prejuízo, logo, o meu jornal é uma ficção. Logo para começar, teria uma redacção galáctica. Só para pagar àquela gente não chegariam as receitas actuais do Correio da Manhã e do JN, mais os prejuízos do DN e do Público e ainda a lábia do director do Sol, fora as prebendas do Expresso. Quantidade e qualidade em partes iguais para alimentar a fé de que estamos a dar aos leitores o melhor acesso à informação mais importante e às ideias que circulam, com a responsabilidade de liberdade que uma ética do jornalismo (ainda) exige. Reparem: melhor, importante, livre – luxos para a imprensa moderna. Luxos caros.
(mais…)
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A generalidade dos jornais online sofre de alergia ao link dentro da notícia. Medo de perder leitores ou mania de que sabem tudo, é um fenómeno mais ou menos global, que pode ter muitas razões, mas nenhuma explicação é aceitável: o link é sinal de trabalho, de conhecimento e de diversão. Serviço público.
“
The three principle reasons for hyperlinking within an article are to cite an attribution, to provide context for an article, and to reward readers with an “easter egg“
Mais do mesmo: sobre o valor da hiperligação.
PS: Como eu desconfiava, este post-em-formato-imagem cortou o feed do Prometeu, mas o problema está resolvido.
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De volta a Portugal, e com o estágio já para trás, dou de caras com este texto no Editors Weblog que cita um editor da revista Times, Richard (Spengler) Stengel, que afirma: “Online is for the what and print is for the why” (negritos e sublinhados meus). Mas há jornais que ainda não perceberam que as breaking news já não são para o papel e que, pior ainda, fazem do site um repositório do que sai em papel.
PS: algo de errado se passa com o feed deste blogue há pelo menos uma semana. Tenho as minhas suspeitas sobre a razão, mas ainda não foi possível resolver da forma que pretendo. Até lá, seguimos sem feed.
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