Ecos da cimeira de Davos: o que devem fazer os Governos nacionais se as empresas jornalísticas de suportes tradicionais se afundarem face à concorrência dos media online? A questão já havia sido abordada num recente artigo publicado no Boston Globe, mas voltou à liça porque ontem houve quem defendesse num dos fóruns da muito badalada/poderosa/endinheirada cimeira de Davos que a intervenção dos executivos nacionais poderia ser uma “solução viável”. O que dá, ao mesmo tempo, um sinal da importância que é dada ao tema do futuro dos media tradicionais, a exemplo dos jornais em papel - aqui encarados (de forma provocadora, seguindo a ideia lida no TechCrunch) como sendo o “verdadeiro jornalismo”, por contraponto aos blogues e outros sectores do mundo online.
Parece-me óbvio que a resposta só pode ser uma: não devem fazer nada. Do ponto de vista editorial a situação é clara como água - quando muito, os Governos são notícia e não aqueles que tratam das notícias. E do ponto de vista económico também não há nenhuma defesa possível para o argumento de que cabe aos Governos a tarefa de salvar as empresas de media da concorrência (ou de si próprias, como em Portugal…). A única coisa que cabe aos Governos fazer (e que, por sinal, não fazem) em nome da defesa do “verdadeiro jornalismo” é cuidar do ambiente jurídico, social e cultural que garanta a independência dessa actividade, o pluralismo dentro do campo jornalístico e uma efectiva liberdade entre a concorrência (jornalística e empresarial).

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Hugo Torres // Janeiro 25, 2008 às 5:19 pm
ora, portanto.
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