A caixa está em casa, no escuro da cave. Já deve estar a preocupada, coitada. Há muitos anos que, nesta noite de 29, não lhe acontece tamanho descanso. Imaginei-a a preparar-se mentalmente para os rigores do cortejo do Pinheiro, que há-de começar daqui a pouco. Este ano não, minha querida…. este ano, deixo-te sozinha. A distância que me separa de Guimarães vai manter a tua pele em descanso. Hoje fico longe desse antro de uma noite – onde homens e mulheres se entregam à lúxuria da amizade até que o sangue escorra -, aí mesmo onde eu devia estar. A lamber os dedos ao sarrabulho, a bater o rojão com os grelos, e depois aquecer-me por entre as peles que tu e milhares de outras vestem, enquanto nos despem. Horas de revelação para tantos e tantas, de dôtores a professoras, e damas e cavalheiros, ou ricos e ou pobres. Essa coisa fantástica que leva a que enquanto te digo aqui que ficas sozinha esta noite me leva a receber chamadas daí perto, dizendo que estamos a fazer falta. Como vêem, é muito melhor que o Natal… Mas mesmo longe, ouço o ribombar que conduz a cidade à loucura. Ou será dos dedos a bater no teclado?
Entradas desde Novembro 2007
Na pele de um louco
Novembro 29, 2007 · 1 Comentário
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Se eu tivesse 17 mil dólares…
Novembro 26, 2007 · 1 Comentário
depois de muita volta, estou de volta. A mudança temporária para Lisboa, a procura de casa, a adaptação a um novo ambiente profissional, a falta de uma ligação à net em condições, o entusiasmo dos novos trabalhos, enfim, nada disto é uma desculpa aceitável e tudo isto é a desculpa possível. Se eu tivesse 17 mil dólares (e mais uns “trocos” para o alojamento, viagens e comida), fechava o Prometeu de vez, em vez de prometer regressos, e ia a correr inscrever-me no novíssimo curso de Jornalismo Digital lançado pela cadeia norte-americana de TV NBC em associação com a New York Film Academy.
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Metro polis
Novembro 7, 2007 · 2 Comentários

Lisboa, 7 /11/2007
Escada Sem Corrimão
É uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol,
Mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos
Mais estragados estão.
Nem sustos, nem sobressaltos
Servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe,
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida
Correm-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida,
A escada sem corrimão…
(David Mourão-Ferreira)
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Vida nova
Novembro 6, 2007 · 5 Comentários

Lisboa, 6 de Novembro de 2007
Abracei o jornalismo como profissão em 1999, entrei na universidade nesse mesmo ano, mas só comecei a levar o curso a sério uns tempos depois, e agora estou a acabá-lo. Durante todos esses anos, escrevi e publiquei centenas de notícias sobre diversos temas, mas devem contar-se pelos dedos de uma mão as que eram relacionadas com desporto. Um cenário que vai mudar forçosamente a partir de hoje, dia em que comecei o meu estágio curricular, no PÚBLICO, em Lisboa, na secção de desporto. Portanto, é como se a experiência não existisse e tudo (re)começasse do zero: sem fontes, sem experiência na área, sem conhecer a cidade, sinto-me um estagiário em todo o seu esplendor (e insegurança).
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Bolonha: a golpada nas universidades
Novembro 5, 2007 · 8 Comentários
(ACT. 06/11) O famigerado processo de Bolonha revela-se cada vez mais um subterfúgio para o Estado dar a golpada financeira no ensino superior público. A dimensão da fraude torna-se evidente, à medida que os cursos vão sendo reformulados.
Vejamos o caso do meu curso, Comunicação Social da Universidade do Minho. Com a mudança para Bolonha, a “licenciatura” passa de cinco para três anos, e os 4.º e 5.º ano passam a constituir o chamado segundo ciclo. A escandaleira está num aumento desproporcionado e injustificado de propinas para estes dois últimos anos, agora transformados em segundo ciclo. Vejamos novamente o meu caso (que é o de todos os alunos do curso): em 2006/2007 paguei 940 euros de propina anual para frequentar o antigo 4.º ano. Este ano vou pagar 1375 euros, porque passei para o segundo ano do segundo ciclo. Fazendo as contas, é um aumento de quase 50 por cento nas propinas, o que, por si só, é (não conheço outro nome) uma roubalheira.
Convém não esquecer que o meu curso não é caso isolado e, exceptuando as especificidades que acabo de expor, a mesma situação ocorre, mutatis mutandis, em dezenas ou centenas de outros cursos. Basta lembrar o que disse o ministro Mariano Gago, há um ano atrás: “as propinas de mestrado vão ser iguais às de licenciatura para os cursos em que este grau de ensino seja necessário ao acesso dos alunos à profissão“. Ou seja, para o Estado português, um curso de três ano é o mesmo que um curso de cinco, desde que não haja nenhuma Ordem (Arquitectos, Médicos, Engenheiros,…) a exigir uma formação de cinco anos para acesso à profissão.
Conclusão número um: é a “morte” (para efeitos de financiamento público) das Ciências Sociais, das Artes, de muitos cursos de Ciências Exactas. Conclusão número dois: o financiamento estatal do ensino superior é definido por um único critério subjectivo (o poder de uma determinada Ordem).
Infelizmente, Alberto Amaral, professor universitário e antigo reitor da U. Porto tinha toda a razão quando, há anos, alertou para as “agendas ocultas” de Bolonha (link actualizado, documento PDF, 765kb) e para o corte no financiamento das universidades que o processo ia acarretar. Amaral não foi o único a alertar que Bolonha só serve para poupar dinheiro. Mas ninguém lhe deu ouvidos, e aqueles que deram, a seguir calaram-se – ou perderam o pio. É curiosa a reacção na altura do professor Manuel Pinto, alguém ligado ao meu curso, precisamente: “Se as considerações que ele [Alberto Amaral] tece têm algum fundamento, não nos faltariam razões para emigrar… “ É pena que tamanha preocupação do professor Manuel Pinto não tenha travado uma mudança para Bolonha que é extremamente penalizadora. Para já, quem paga as favas são os alunos. Mas o país que não descanse à sombra da bananeira - a factura há-de chegar.
Post-scriptum: Questionados várias vezes, por diferentes alunos, desde Junho passado, os responsáveis do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho foram respondendo sempre que não sabiam qual seria o valor da propina (eu dizia que ia ser muito alto, mas não tinha provas). “Um aumento de 20 por cento até será justo”, respondeu na altura a directora do curso (cito-a de memória). Acontece que há dias ficámos todos a saber que o aumento é de quase 50 por cento e que esse valor foi fixado pelo Senado em Julho. Cada um tira as suas conclusões. Eu digo apenas isto: lamentável…
ACT. 07/11: Leiam o que acrescenta Manuel Pinto na caixa de comentários a este post. É informação relevante.
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A TV tim-tim por tim-tim
Novembro 2, 2007 · Deixe um Comentário
Um episódio de “The Screen Wipe”, programa originário da BBC4, centrado no lado invisível da televisão, o lado menos ‘glamoroso’ do trabalho. Imprescindível para estagiários, curiosos, fãs e todo o tipo de gente mal-humorada.
The Screen Wipe Guide to TV | 29′
O que se passa na tua rua, passa na Internet
Novembro 1, 2007 · Deixe um Comentário
Your Street é um novo site que combina notícias com mapas. O utilizador procura pela localização pretendida e o site fornece as novidades, apresentando-as num mapa. Por exemplo, o resultado de uma pesquisa (para a baixa de Manhattan) assemelha-se a isto:

Além das notícias, o mapa mostra conversas entre moradores dessas localizações


O site trabalha na base de um algoritmo que extrai informação geográfica, como nomes de ruas, bairros e cidades, dos textos noticiosos. Essa informação é depois comparada com as bases de dados, permitindo localizar a notícia no mapa. Para já, só funciona para os Estados Unidos.
